terça-feira, 26 de maio de 2009

Da cegueira

No outro dia estava a ver um filme que até achei piada. Chamava-se “Salsa e Diamantes”. Às tantas – e esta é uma cena insignificante no enredo do filme – está a família à mesa, a almoçar, mãe, pai, miúdo e avô. Rebenta uma discussão e o pai dá uma estalada à mãe e levanta-se da mesa. Depois dirige-se para a porta e ela vai atrás dele a suplicar-lhe para ficar. O miúdo será educado pela mãe e avô até partir rumo ao seu destino. Mas o que interessa salientar é que mesmo depois de agredida por uma cena menor – o miúdo queria ou não comer já não me recordo em detalhe – a mãe vai atrás do agressor e pede-lhe: “Não te vás embora.”
Outra situação: há poucas semanas interessei-me por um transplante facial pioneiro numa mulher cuja cara tinha sido rebentada à caçadeira pelo marido “acidentalmente”. Ele está preso mas ama-a e considera que a desgraçada está muito bonita. Quer voltar para ela. A mulher que também é mãe dos filhos dele está pronta a perdoá-lo e a recebe-lo de volta.
Nestes dois casos apresentados parece conclusivo numa primeira leitura que ambos os homens, maridos e pais são umas bestas inclassificáveis dignos do maior desprezo. No entanto, as vítimas maiores são as que os perdoam e aceitam de volta. Todos nós podemos ter a nossa opinião sobre a matéria mas a delas é que vai vigorar. Parece-me estranho e altamente misterioso que o coração – tal como Pascal apurou – tenha razões que a própria razão desconhece…
Mães… abram os olhos!!!!

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