Já há muito tempo que as respostas de uma entrevistada não me faziam sorrir numa velada cumplicidade. Por isso, transcrevo os parágrafos que mais me tocaram:
“Quando se parte para um casamento, parte-se para um projecto de vida e para a vida. Foi assim que encarei o meu casamento e, quando as coisas não correm como nós queremos, toda a nossa vida fica em causa e nós próprios ficamos em causa. Existiu, nesse momento, um balanço enorme que foi preciso fazer e decidir se a vida deveria continuar naqueles moldes ou se era possível viver uma vida diferente, mais fácil, mais inteligente e mais bonita. Foi esse o trabalho que fiz, grande parte dentro do casamento, até chegar aqui. Sinto que cresci muito. Acho que consegui fazer uma mudança inteligente na minha vida. Hoje as coisas estão arrumadas, o tsunami passou.”
“Quando de repente uma vida deixa de ser a três e ficamos duas, eu e a Joana, o nível de responsabilidade é muito maior, porque ao meu lado está uma pessoa que tenho de ajudar a crescer estruturada e forte. Nesse momento, olhei para mim e percebi que era a única responsável pela casa, pelo carro, pelo emprego, pela minha filha e perguntei-me se seria capaz. A verdade é que estou a ser, e de uma forma muito tranquila, desatando muito nós que tinha para desatar e reerguendo-me.”
“É uma casa de mulheres, uma república feminina garantidamente muito divertida e muito bem habitada.”
“Obviamente que quando acabamos uma relação é na perspectiva de se ser mais feliz do que se era nessa relação.”
“Foi para ser feliz que me dei ao trabalho de me divorciar. É isso que mais quero: ser feliz com a minha filha. Só quero continuar o meu caminho e, um dia destes, virar a esquina e encontrar o que me falta.”
As respostas são da jornalista Ana Lourenço à revista Caras nº726, edição 11 de Julho 2009

Sem comentários:
Enviar um comentário