quarta-feira, 15 de julho de 2009

Casa de Mulheres


Já há muito tempo que as respostas de uma entrevistada não me faziam sorrir numa velada cumplicidade. Por isso, transcrevo os parágrafos que mais me tocaram:

“Quando se parte para um casamento, parte-se para um projecto de vida e para a vida. Foi assim que encarei o meu casamento e, quando as coisas não correm como nós queremos, toda a nossa vida fica em causa e nós próprios ficamos em causa. Existiu, nesse momento, um balanço enorme que foi preciso fazer e decidir se a vida deveria continuar naqueles moldes ou se era possível viver uma vida diferente, mais fácil, mais inteligente e mais bonita. Foi esse o trabalho que fiz, grande parte dentro do casamento, até chegar aqui. Sinto que cresci muito. Acho que consegui fazer uma mudança inteligente na minha vida. Hoje as coisas estão arrumadas, o tsunami passou.”

“Quando de repente uma vida deixa de ser a três e ficamos duas, eu e a Joana, o nível de responsabilidade é muito maior, porque ao meu lado está uma pessoa que tenho de ajudar a crescer estruturada e forte. Nesse momento, olhei para mim e percebi que era a única responsável pela casa, pelo carro, pelo emprego, pela minha filha e perguntei-me se seria capaz. A verdade é que estou a ser, e de uma forma muito tranquila, desatando muito nós que tinha para desatar e reerguendo-me.”

“É uma casa de mulheres, uma república feminina garantidamente muito divertida e muito bem habitada.”

“Obviamente que quando acabamos uma relação é na perspectiva de se ser mais feliz do que se era nessa relação.”

“Foi para ser feliz que me dei ao trabalho de me divorciar. É isso que mais quero: ser feliz com a minha filha. Só quero continuar o meu caminho e, um dia destes, virar a esquina e encontrar o que me falta.”

As respostas são da jornalista Ana Lourenço à revista Caras nº726, edição 11 de Julho 2009

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