Há 165 anos atrás, um senhor gordo de bigode farfalhudo divertia-se a escrever algo que, inicialmente, foi um folhetim no jornal Le Siècle e, nesse mesmo ano, passou a romance. Volume inicial de uma trilogia, suponho que o autor nunca imaginaria que volvidos tantos anos a sua obra ainda empolgasse os vivos… E assim é. E tu, minha querida, na inteligência com a qual foste brindada por Deus e que me espanta e envaidece todos os dias, és também, aos dois anos e meio, uma fã dos famosos mosqueteiros.
Tudo começou com o filme de longa-metragem dos teus amigos Mickey, Donald e Pateta. Visionado um milhar de vezes acabaste por decorar diálogos e entoar canções. E corriges-me se eu invento e não canto certo. Depois, estávamos as duas num quiosque e só te vejo de rabo para o ar a espreitar qualquer coisa no chão, entre mochilas e jornais: “Mamã! – chamas-me frenética – Está aqui um cão mosqueteiro!”. E lá veio o famoso Dartacão, o teu mais recente e inseparável amigo.
Não te cansas de ver e rever o Dartacão, de me pedir uma espada como se fosse um gelado e um chapéu com uma pena. Ou a tua insistência de irmos a Paris, como se lá existisse ainda o célebre corpo de elite dos guardas do rei ou a gata Marie.
Querida Constança, como és linda e ingénua… E como faço tudo para te agradar, lá fomos à procura de uma espada. Os empregados da loja ficaram tão derretidos com a tua fibra que um deles convenceu-te de que um balão cilíndrico com bolas de esferovite e um sino de gato lá dentro e, claro, o Mickey, o Pateta e o Pluto cá fora seria a espada ideal para ti. E foi buscar uma para ele e vocês esgrimiram armas, enquanto a colega dele com uma flauta tocava o tema musical da série animada. E cantaram os dois: Eram uma vez os três/ Os famosos Moscãoteiros/ Do pequeno Dartacão/ Tão bons companheiros/ Os melhores amigos são/ Os três moscãoteiros/ Quando em Aventuras vão/ São sempre os primeiros”.
Tu estavas nas nuvens… O teu ar radiante parecia dizer encontrei a minha gente… E enquanto pulavas e rias com a tua magnífica arma iniciaste, tu própria, a versão mais romântica da música que mais adoras trautear: “O amor da Julieta/ É o Dartacão/ E ela é a predilecta/ Do seu coração.” Bom, e até eu me juntei no coro: “Dartacão, Dartacão/ Correndo grande perigos/ Dartacão, Dartacão/ Perseguem os bandidos/ Dartacão, Dartacão/ E os três moscãoteiros longe vão chegar.”
Sei bem como vibras com o lema deles “Um por todos e todos por um!”, só não sei é como é que uma menina com a tua tenra idade se deixa empolgar por estas estórias de camaradagem e aventuras… Ah! E quando o empregado te perguntou para que querias tu ser mosqueteiro respondeste sem hesitar: “Para matar os bandidos… e os monstros.” Genial, mademoiselle.
Agora vou resumir-te algumas coisas muito giras que ainda não sabes sobre esta trupe de capa e espada.
O título inicial que Dumas deu à obra era “Athos, Porthos e Aramis” mas foi alterado para “Os Três Mosqueteiros”. Os editores sempre gostaram de melgar os autores… Enfim, Dumas lá aceitou a sugestão achando que o seu absurdo (já que os seus heróis são ao todo quatro) iria contribuir para o sucesso da obra.
Muitas das personagens existiram na realidade e outras são fictícias. Entre as primeiras encontram-se os quatro mosqueteiros, cujos nomes verdadeiros são: Charles de Batz de Castelmore D’Artagnan, Armand de Sillègue d’Athos d’Autevielle, Isaac de Porteau e Henri d’Aramitz.
Pela estátua que existe de D’Artagnan, em Maastricht, ele foi seguramente um dos mais sexys capitães-tenentes da Primeira Companhia dos Mosqueteiros.
Mas o mais inacreditável, meu amor, é que a grande paixão de D’Artagnan na obra de Dumas se chama CONSTANCE…

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