Quando ela entrou na sala, ele interrompeu a brincadeira com os amigos e ergueu-se de um jeito automático, numa veneração muda. Esse momento - do olhar dele para ela - pareceu-me uma eternidade... Ela não estava nem aí. Agarrada à minha mão, tímida mas entusiasmada, não olhava para ninguém em particular mas revia-os a todos. E ele permanecia preso à visão dela, em pé como um cavalheiro perante a sua dama, incapaz de retomar a brincadeira com os outros dois, os quais prosseguiam os jogos sentados no chão. Cumprimentei-o mas ele ignorou-me. Só ela existia e aquele olhar azul inspecionava-a, absorto e encantado. Depois, fomos guardar a mochila e eu deixei-a com o coração apertado mas deveras impressionada com a reacção espectacular do amiguinho especial. E pensei na sinceridade de um olhar derretido de um miúdo de três anos... Porque será que, ao longo da vida, se estragam os corações verdadeiros? E foi assim, o primeiro dia da Constança de regresso ao Colégio.
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