sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O ar que se respira

Despedimo-nos de Novembro todos doentes cá em casa. Há duas semanas que andamos a espirrar, tomar mil e um comprimidos, gastar rolos e rolos de papel e a suar na cama que nem doidos. A bebé também ficou muito afectada por contágio nosso. Levei-a ao médico e como os pulmões dela estão cheios de secreções não houve outra alternativa senão fazer aerosolterapia. Como não tenho nenhuma máquina dessas e há três dias atrás não conhecia ninguém que tivesse uma aluguei à Gazin.
Vieram prontamente entregá-la – depois da burocracia de sempre ao telefone – e com os medicamentos já alinhados num tabuleiro preparei-me para a novidade. Sim, tudo é novo quando se é mãe pela primeira vez mas digamos que algumas coisas já as esperamos e estamos somente na expectativa de acontecerem estilo o nascimento dos dentes, enquanto outras apanham-nos totalmente de surpresa.
Assim, lá meti as gotas, ampolas e soro no aparelho e liguei a coisa. Começou a sair o vapor curativo para a bebé respirar. Inicialmente, o pai ainda lhe tentou colocar a máscara mas os gritos dela foram esclarecedores. Mais tarde, ele confirmou que os colegas no trabalho que faziam isto aos filhos também não usavam máscaras e que este processo era uma coisa muito normal e também nós devíamos comprar uma máquina para uso futuro porque os outros as estavam sempre a usar.
Como o meu marido foi asmático em pequeno e ainda hoje é alérgico a uma série de coisas talvez não o incomode tanto este cenário de nevoeiro londrino. Porém, faz-me imensa impressão administrar este tratamento à bebé. Não é que ela sofra. Fica aborrecida e protesta mas não gosto de a gasear com o maldito tubinho azul. E não posso acreditar que ela vá precisar de fazer isto muitas mais vezes. Fico com a terrível sensação de que não tenho uma filha saudável.
O médico disse que no primeiro ano de vida é cada vez mais normal os bebés terem toda a espécie de alergias mas que depois elas passam. A nossa já teve a pele numa autêntica desgraça e nem dois meses e meio tinha… Culpado o leite, lá passou a beber um Pepti danado de se encontrar nas farmácias – só por encomenda – e ainda agora três meses depois de findar o prazo para os bebés o beberem (diz na lata até aos seis meses) ela continua a bebê-lo porque o médico ainda não achou por bem mudar-lhe o leite...
Este Outono/Inverno em menos de dois meses a bebé já sofreu duas valentes maleitas. Também ele é encharcada em medicamentos e eu aspiro-lhe o nariz e trato bem de tudo e mais alguma coisa. Mas não posso acreditar que vá ser sempre assim.
Uma amiga minha contou-me como a filha dela foi sempre doente, teve o tímpano aberto e não pôde ser operada (em Portugal não o faziam antes dos 12 anos), as otites que apanhou no infantário, as operações em Londres, a ligeira surdez de que a miúda padece, embora tenha dado a volta por cima e hoje estude música na Áustria. E como a filha viveu sempre tantos problemas não sobrou tempo para lhe dar irmãos.
Penso como é complicado este processo de ser mãe. O fardo é maior quando os filhos exigem mais atenções e cuidados do que os outros. Sempre admirei as mães que superam todas as barreiras para cuidar dos filhos doentes. Mas o que quero é ter uma filha saudável e sem máquinas barulhentas à volta dela.

Sem comentários: