Depois de uma terrível luta contra a balança e os espelhos, eis que entro na minha antiga roupa, gosto de me ver reflectida e maquilhada, amo os meus acessórios e sinto-me ALIVE!!!!!!!!!!
Tudo isto graças a uma série de medidas fantásticas que mudaram mesmo as minhas curvas. Segura e confiante até parece que a vida é mais bela! Eu, pelo menos, voltei a agarrar a beleza e é uma sensação sublime. Regresso às roupas que agora me servem perfeitamente e assentam tão bem na minha nova cinturinha e inovei no penteado. Tirei volume, fiz umas madeixas giríssimas e pareço uma Barbie Hard Rock Café.
Todas as semanas tento andar o mais possível e qualquer dia começo a correr junto ao mar que é para atingir a versão Barbie Top Model. Agora a sério, eu assumo que colecciono estas bonecas e sou viciada nelas. Mas só aquelas mesmo especiais. O meu critério é: não as quero com vestidos de fadas, princesas, sereias e por aí fora.
Para mim, uma boneca Barbie só tem valor quando parecem mulheres reais em miniatura com todos os nossos mais belos apetrechos e roupas de cortar a respiração. Tenho várias lindíssimas e para este Natal já encomendei outras tantas. Fico ansiosa à espera delas. Como uma menina. Para mais, não consigo dissociar o Natal dos brinquedos. E a minha boneca preferida – a bebé, claro – vai dar o seu primeiro mergulho natalício, isto é, imagino-a a submergir no meio de tanto papel de embrulho espalhado pelo chão…
Ela adora mexer em papel. Por vezes, mastiga-o. Ou então, baba para cima dele e rasga-o todo. Já dizimou várias revistas antes de eu dar por isso e lhas tirar logo, claro. Sei bem que não deve brincar com elas mas não sou nenhum polvo com nove braços e agora a malvadinha ensaia os primeiros gatinhanços.
Só nesta temporada já apanhou duas valentes constipações. É muito duro vê-la com os olhinhos lacrimantes e ouvi-la protestar sempre que lhe aspiro o narizito. Não suporto ver a bebé doente… Fico com a sensação de que não estou a ser uma boa guardiã.
Mas sempre que estamos juntas sinto-me mesmo mais feliz. Ficamos bem porque somos as duas bonitas e eu adoro passeá-la sem complexos. E deliro quando encontro alguém que me diz: “Mas você não tem barriga” ou “emagreceu imenso”. Ah, como fico delirante!
Para uma mulher, a maternidade é sempre algo de belo e sagrado, contudo não devia deixar marcas. Eliminá-las é quase impossível. Li algures que quatro em cinco mulheres nunca perdem a gordura acumulada durante a gravidez. E é por causa dessa devastação física que a mulher/mãe se transforma em bicho-do-mato não querendo sair e conviver mais. Até a relação do casal sofre com isso. Porém, solucionado o problema físico renasce toda uma nova disposição e o nosso espírito irradia bem-estar. Daí que compreenda e seja a favor de todas as transformações que nos façam revestir a alma. Só quando nos sentimos bem connosco podemos olhar para os outros. É o chamado processo dor de dentes. Quando alguém tem uma dor de dentes só pensa nisso e em nada mais. Sarada a dor, a pessoa já volta a interessar-se por outros assuntos.
Ser mãe não tira a sensualidade a uma mulher. O que nos afecta é o corpo que demora a “sarar”, a falta de paciência e de tempo, o excesso de trabalho tripartido emprego-casa-bebé, as guerras familiares, as desilusões e a escassez do sexo. Tivéssemos todas uma vida tranquila e mimada – com baby-sitters, manicures, massagistas, motoristas, cabeleireira ao domicílio, depilação a laser, ginásio in-doors, piscina aquecida, acesso a compras ilimitado, festas giríssimas e férias em ilhas de sonho – que ser mãe não nos tiraria um grama de feminilidade.

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