sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Conta-me outra vez
- Conta-me, outra vez, como é que eu nasci, mamã – pediu, sentada na sua cadeira, num restaurante que a atormentava por ser tão exíguo.
Carlota suspirou resignada. Ainda bem que não se podia fumar ali dentro. Há anos que lutava contra aquele vício sem sucesso. Apenas deixara de fumar quando engravidara mas todos os dias pensava desistir. Talvez um dia conseguisse.
Barrou a tosta com manteiga de laranja e sorriu para a filha:
- Um belo dia, eu e o teu papá fomos lanchar a Belém e ver uma exposição de antiguidades. De acordo com o teu pai, sempre que íamos a um local de doces típicos tínhamos de ingerir uns tantos porque nunca saberíamos quando voltaríamos a esse sítio novamente.
- O papá era guloso…
- Não o vamos classificar, querida. Caso contrário, nunca mais apanho o fio à história.
- Está bem. Continua.
- Nessa tarde, comi bastantes pastéis. O próprio empregado de mesa estava surpreendido com a nossa alarvidade. E depois quando fomos ver as velharias senti-me bem disposta, embora tenha percorrido longos corredores. Quando me deitei, à noite, doíam-me as pernas. Foi então que os pastéis começaram a dançar na minha barriga já ocupadíssima por ti.
- Adoro essa parte! Eles empilhavam-se e distribuíam-se e depois voltavam a empilhar-se e tu, coitada, às voltas na cama, agarrada à tua barriga!
- Sim, querida. Come esta tosta. Na verdade, a dança dos pastéis quase que podia ser visualizada porque as formas deles recortavam-se na minha pele esticada, como naqueles filmes em que os extraterrestres estão dentro de ti.
- Ai, que nojo! – exclamou, deleitada.
- Ultimamente dizes muito isso. Vocês só aprendem o que não devem. Enfim. Os pastéis começaram a imaginar que estavam de volta à sua antiga casa e, como tal, viviam um frenesim indescritível.
- E o papá dormia?
- Ainda não. Mas já tinha apagado a luz. Foi então que tu começaste a ficar muito zangada por te terem acordado. Executaste uma cambalhota perfeita e ficaste de pés, muito juntinhos, a apontar para baixo, antevendo a saída possível.
- E tu ouviste-me falar…
- Claro! Ouvi-te dizer muito claramente: “Mamã, ou os pastéis ou eu, mas aqui dentro não há espaço para todos.”
- E o papá ouviu?
- Não querida. Ele nunca te sentiu dentro da minha barriga. Foi uma gravidez muito unilateral.
- Estou a ver – disse, com ar entendido.
- Não tive tempo de te responder porque, como sabes, és muito rápida. Antes que pudesse dizer ou fazer algo sou abalada por um violento tremor, seguido de uma explosão de nata caramelizada. E, quando me consegui erguer, vi um bebé lindo, muito pequenino, nascido antes do tempo mas perfeitinho. Esse bebé tinha ficado de barriga para cima, a esfregar a nata da cara, como as lontras do Oceanário gostam de se posicionar. Sorriu para mim e piscou-me o olho. Nesse momento, nasceu um brilhante no céu que não tem nada a ver com as estrelas mas que, de alguma maneira difícil de explicar, está ligado ao teu nascimento.
- É por isso que as lontras me fixam tanto…
- Não sei querida. Só te posso dizer que, desde que nasceste és um autêntico doce e que muitas vezes tenho de me controlar para não te comer com beijinhos.
- Oh, Mamã! És tão querida!
- Tu é que és.
- E tu também.
- Pronto. Somos as duas.
Mais caro que o embrião americano
Relativamente ao teu Vinci GT acho giro ser o primeiro carro 100 por cento português mas com um motor americano de 480 cavalos… desculpa discordar lol Há quem o chame de Corvette transvertido. Até no painel de bordo tem escrito Corvette. Ir do zero aos 100 em menos de cinco segundos e dar os 300 km/h são luxos desportivos que também não me convencem. A carroçaria até é engraçada mas podia ser mais português...
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Buon Compleanno Amore Mio
No teu mês papá... ofereço-te uma rosa amarela por dia, um pensamento por hora, um beijo por minuto e a eterna saudade a todos os segundos... Buon Compleanno...
sábado, 3 de outubro de 2009
A dança dos Sufis
A palavra dervixe descreve um sufi que está à beira da iluminação; um sufi é um membro da ordem dos dervixes rodopiantes, é um místico.
Segundo uns autores, a palavra sufi vem do grego “sophos” que significa sabedoria; segundo outros autores a palavra vem do árabe “sûf”, que significa lã que estaria relacionada com as vestes de lã usadas pelos primeiros místicos em sinal de humildade.
Foi Rumi quem criou a Sema (cerimónia) que ainda hoje subsiste nos mesmos moldes. A Sema envolve cantos, louvores, música e dança giratória, como forma de chegar mais perto de deus. A palavra Sema significa audição e designa um dos nomes ou atributos de deus revelados no Corão (ya-Samí, aquele que tudo ouve) e foi criado dentro de um modelo análogo a um sistema solar em miniatura: como os planetas giram em redor do sol, os dervixes giram ao redor do seu próprio centro. O Sema acontece pelo movimento giratório do corpo que leva a um estado de alteração de consciência; a acção de girar repetidamente leva a um estado alternado de consciência, que produz uma espécie de transe ou êxtase místico. Esse estado, de acordo com o sufismo, possibilita que o indivíduo perceba, de uma maneira mais consciente, uma “energia” que os sufis chamam de baraka (substracto material e espiritual da vida). O giro induz a um estado de transe que torna mais fácil a mística união espiritual com deus.
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