quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Parabéns Princesa


Ontem, meu amor lindo e pequenino fizeste um ano de vida. Não te consegui dar o que queria porque não me consigo ter a mim. Até tu vomitaste um interminável jorro verde. Porque há coisas que são como aço em nós e nos dilaceram por dentro. Prometo-te que tudo será diferente e melhor. E até lá, fica com uma estória da mamã, inventada só para ti.

Há muito muito tempo, num bosque encantado, um pequeno duende verde parou à frente de um cogumelo único no mundo. Hesitou se seria ou não o cogumelo raríssimo mencionado no Grande Livro de leitura obrigatória na escola dos duendes. Pelas pintas azuis celestes que sobressaíam numa textura tão doirada que quase o obrigava a semicerrar os olhos concluiu que sim, que só podia ser o famoso e lendário tigrado azul.
Nesse momento de certeza, iniciou uma série de pulinhos e de gritinhos de alegria e, até, uma espécie de samba. E pensou: “É tão difícil os duendes encontrarem aquilo que querem quanto mais darem de caras com o inesperado e o mágico.” E depois pensou também que aquele cogumelo era dele e devia-o proteger.
Um gnomo ambicioso passou perto dele e, ainda que respeitando o direito de chegada, não se conteve e proferiu:
- Por que te alegra tanto teres descoberto o tigrado? Se ao menos tivesse sido o pote das moedas de oiro, aí sim, podias festejar dessa maneira exuberante.
- Pois, tens razão – anuiu, tristonho – mas esse, todos sabemos que está no fim do arco-íris… E ninguém se atreve a molestar as cores protectoras do ancião.
- Não acreditas nessa lenda – troçou o outro, implacável – que o mais velho dos duendes é, de facto, um guardião do pote. Ele está lá, cheio de moedas e moedas. E pode ser teu. Só tens de esperar pelo arco-íris e aventurar-te.
- Mas eu não quero sair de perto deste – disse, apontando para o raríssimo cogumelo.
- Eu tomo conta dele por ti. Vai lá, tranquilo e não te preocupes. Fica descansado. Eu cuido bem dele.
- Não posso virar costas e ignorar que este cogumelo é meu. Só meu. O meu sonho era ficarmos juntos para sempre longe de vocês todos, uma tribo de seres pegajosos.
- Ai, que malcriado! Então é assim que agradeces a minha ajuda?
- Mesmo que cuides deste cogumelo por mim ele nunca será teu. Vê. O tigrado já sabe o meu nome.
E as pintas formaram a palavra Miko que era o nome do duende.
- Agora existe o mais forte dos laços entre nós. E o poder dele é o meu e o meu é o dele. Perdeste gnomo mau e usurpador. Agora desaparece e vai à procura de um duende que cai nas tuas patranhas.
E o pequeno duende ficou junto do seu cogumelo maravilhoso e durante toda a noite viu-o mexer graciosamente e ambos dançaram unidos num segredo que só revelariam anos e anos mais tarde.

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