segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Duquesa II





- Continue a pintar touros, Francisco. Encha-me a sala com telas vivas de sangue e paixão. Faça-os grandes porque adoro a bravura deles e a persistência, mesmo feridos de morte. Que dignos que são estes seus animais que você insiste em pintar e pintar na arena da vida que tanto o apaixona.

- Caetana… Mas eu quero pintá-la é a si. Um retrato memorável que faça justiça à sua beleza. Vestida de branco com o cabelo solto. E um laço vermelho.

- A minha boneca é negra e pequenina. Já lhe disse: pinte-me touros.

- Mas Caetana, minha feiticeira andaluza, deixa-me pintar-te vestida… desta vez.

- Como me seduzem os animais de grande porte. São imensos perante a mesquinhez dos mosquitos que teimam em zumbir à minha volta. Deve ser do clima. Achas que o meu marido trouxe o mosquiteiro? É tão incompetente… Podia bem ter alertado o criado para algo tão essencial mas só pensa naquelas sinfonias medonhas… Como se a vida fosse feita de música deprimente e alucinada. Ah, meu Francisco. Tu não me ouves mas entendes: lê os meus lábios, amor: PINTA-ME TOUROS DE GRANDES CORNOS.

E a duquesa de Alba precipitou-se para os braços do amante num prazer tão eufórico como incontido.

A Duquesa I







- É sempre assim?

- É como dizem: todos a adoram à excepção do duque.

- E ela é traída na própria casa? Custa-me a acreditar… Uma mulher tão bela e inteligente.

- Tudo isso lhe passa ao lado. (risos). A duquesa vive apaixonada pela filha.

- Mas será suficiente?

- Bom, meu caro, tire a duquesa da sua cabeça. Ela não está disponível para o amor.

- Nem mesmo como… vingança?

- Que ideia! Ela é superior a tudo isso. Se um dia se apaixonar, porém, quem sabe… Mas para tal acontecer teria de estar liberta para o fazer.

- Quer dizer que ela respeita a instituição mesmo depois de ter partilhado a casa com as amantes do marido? Não sofre com tais humilhações?

- É evidente que sim. E terá protestado. Com veemência, segundo sei.

- E então? Resolve-se a ficar?

- Já lhe disse: vive apaixonada pela filha. Londres inteira sabe isso.

- Mas ela é tão jovem para ser prisioneira na sua própria casa.

- A liberdade, caro amigo, só é saboreada pelas crianças nas suas inocentes corridas e brincadeiras. Nenhum adulto é inteiramente livre.

- O que lhe resta então?

- Não compreendeu? A duquesa fez uma escolha. Optou por viver uma vida ao lado da sua pequena cria e sente-se realizada.

- Não aceito essa resposta. É um absurdo! (indigna-se, subindo o tom de voz.) Uma mulher assim vive por reflexo. Projecta na criança toda a sua alma mas há um espaço vazio e, embora a entrada se encontre vedada, esse espaço existe, está nela, e é absolutamente convidativo. Irei seduzi-la.

- Caríssimo, joga com as palavras… E é exímio nisso. Porém, aviso-o de que perderá o seu tempo. O desprezo e o desdém têm o rosto de todos nós, homens. A mágoa nas mulheres é algo de misterioso e trágico. Você é bem parecido. Conheço a sua cotação no mercado (risos). Mas para a seduzir essa é a última arma a usar.

- A avaliar pelo marido sou forçado a dar-lhe razão. Mas não sou apenas isso. Saberei falar-lhe ao coração e cicatrizar todas essas feridas. Faço-lhe um filho. Uma mãe dedicada encontra a força do amor nos laços que cria.

- Lá está você a criar ciladas palavrosas. Não se esqueça de que estamos a falar de um ser verdadeiramente arguto. Topará à légua as suas intenções. Poderá até conseguir alguns sorrisos e olhares encorajadores. Mas, no momento decisivo, ela voltar-lhe-á as costas.

- Veremos. Não pretendo fazer desta minha intenção qualquer espécie de aposta. Mas sei, por experiência própria, que os males de amor curam-se com outro amor.

- Se ela o procurasse. Enfim, parece que falo chinês…

- Às vezes, encontramos algo não por que o procuremos mas porque esbarramos com.

- Você tem o ímpeto da juventude e a arrogância da beleza aliada a uma inteligência literata. Está convencido de que é fórmula infalível. Contudo, os deuses divertem-se a instalar o caos entre os mortais. Não existe desejo nesta mulher. Os olhos dela não brilham e a beleza ou a elegância dos trajes que desenha para si própria são meros jogos de entretenimento próprios de aristocratas entediados.

- Parece conhecê-la muito bem…

- Oh, sim! Claro que sim! Também fui um rato tonto, hipnotizado por um ronronar irresistível. E trucidado de forma implacável. Nunca me hei-de esquecer das palavras da duquesa: “Se eu quisesse um amante nunca me teria casado.”

- Esse casamento deve ter sido o maior desastre da vida dela. Mais força me dá, meu amigo. Nobre ou plebeia, nenhuma mulher deixou a minha cama descontente. Aliás, para a deixarem é sempre um castigo… O paraíso aninha-se nos meus braços, a ternura mora nos beijos que semeio por colunas delicadas, enquanto as minhas mãos possuem o toque do próprio êxtase. Quando dispo uma mulher mais de metade do serviço fica feito.

- Isso é para lhe poupar exercício físico? (ironizou com alguma inveja).

- De todo. Apenas sei incendiar. E a duquesa voltará a resplandecer. Dê-me tempo e verá.

- Desejo-lhe sorte.

- Não sou jogador. Sou confiante. E acredito na vulnerabilidade humana. A duquesa não é feita de aço. É tão-somente uma mulher desiludida.

E os dois homens afastaram-se, cada um seguindo o seu caminho. Um deles pensava no tremendo balde de água fria que o outro levaria ao intentar qualquer investida sentimental. O outro urdia esquemas mentais, revendo as melhores palavras para em cenário apropriado arrancar um desejado encontro secreto. Da sala contígua aquela onde se mantivera o diálogo entre ambos, um roçar de seda anunciava os passos de uma dama. Subiu uma escadaria em mármore e deixou-se cair no chão, junto à filha que brincava. A criança abraçou-a feliz e confidenciou: “Adoro-a tanto, mamã. Porque está sempre comigo e defende-me do dragão meu.”

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Human


I did my best to notice


When the call came down the line

Up to the platform of surrender

I was brought but I was kind



And sometimes I get nervous

When I see an open door

Close your eyes, clear your heart

Cut the cord



Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer

Are we human or are we dancer?



Pay my respects to grace and virtue

Send my condolences to good

Give my regards to soul and romance

They always did the best they could



And so long to devotion

You taught me everything I know

Wave goodbye, wish me well


You've gotta let me go



Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer

Are we human or are we dancer?



Will your system be alright


When you dream of home tonight?


There is no message we're receiving


Let me know, is your heart still beating?



Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer



You've gotta let me know

Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer

Are we human or are we dancer?



Are we human or are we dancer?

Are we human or are we dancer?

sábado, 14 de novembro de 2009

O RAP que inventei no meu degredo e que cedo a um cantor desde que seja negro

O que mais te custa é o quebrar da ilusão


Afundaste porque acreditaste na paixão

E agora custa-te usar a razão

Porque sabes o que ainda te vai no coração

Fecha numa gaveta a tua eterna emoção

Guarda o que viveste como uma recordação

Tens uma filha para lhe dar a mão

Sê corajosa e não ligues ao sermão

Não há príncipe sem senão

Já o devias saber de antemão

Agora vai e esquece o vilão

Procura um herói com formação





Já não te posso ver prá aí parada

Cheia de vazio a chorar o nada

Sentes que tens a vida estagnada

Estás só e foste abandonada

Enxerga melhor a tua estrada

Olha para a pequena presença encantada

Para ela és uma fada

E ela para ti é a tua madrugada

A tua razão de viver animada

Já chega de te sentires desprezada

Para todos nós há uma bela enseada

Descobre-a e sentir-te-ás renovada





Um dia vais voltar a amar

Embora agora não o queiras nem pensar

E vais rir e rir sem parar

E o muro à tua volta vai desmoronar

Gostava de te dar coragem para continuar

Ouve a minha música e põe-te a dançar

O caminho da vida é duro mas sabe parar

Sem ócio é impossível improvisar e arriscar

Por um futuro onde tudo vai brilhar

Vais ter de continuar a saber lutar

Pensa que não és a única a trilhar

O mundo inteiro sem par



Acredita na felicidade colorida

Tu que foste sempre filha querida

E agora volta volvida

Também deste à luz destemida

Fica tranquila e despe a pele de foragida

Só na tua cabeça é que és perseguida

Na realidade ninguém te cala ou intimida

Tiveste azar mas és forte guarida

Deixa o impulso e passa a ser mais reflectida

Mas sempre com a verdade como meta atingida

Sê alta, sê grande, vasta, imensa e contida

Sê tu própria e abraça a VIDA

sábado, 7 de novembro de 2009

O Véu Pintado



O nevoeiro também cai sobre as pessoas como um véu que oculta e cria distância. Por outro lado é fino e quando se dissipa tudo volta a ser alegremente pintado. Vem isto a propósito do filme que vi e tanto me agradou: “O Véu Pintado”, baseado no romance de W. Somerset Maugham, com a interpretação magistral de Naomi Watts e Edward Norton e a premiada e inesquecível banda sonora de Alexandre Desplat.


A acção começa na China de 1925, surpreendendo a viagem cansativa de um casal britânico: o médico Walter Fane e a sua mulher Kitty. Em registo de vários flashbacks percebemos, aos poucos, como eles foram parar àquela paisagem luxuriantemente verde. Conheceram-se em Londres, dois anos antes, numa festa em casa dela que era de família abastada. Quando Kitty desce a escadaria, o olhar de Walter já é o de um caçador decidido. A fazer jus ao nome, a jovem burguesa é uma gata mimada e dada ao conforto e afia as unhas quando a mãe dela a critica por ainda não ter casado e continuar a ser sustentada pelo pai. Furiosa, aceita casar com o bacteriologista que dirige um laboratório governamental em Xangai, apesar de não o amar. O pedido é feito numa florista, a mesma onde cinco anos mais tarde, Kitty repetirá para o filho a inutilidade de se gostar das flores. Mas ao futuro marido dirá: “Tanto empenho em algo que está condenado a morrer.” Uma frase curiosa dirigida a um médico que irá fazer todos os esforços possíveis para salvar centenas de seres humanos, também eles condenados a morrer…

Em Xangai, Kitty deixa-se seduzir por Charles Townsend, o qual num golpe de mestria simula traduzir uma ópera chinesa descrevendo os maiores temores dela enquanto jovem mulher. Charlie, que não sabe uma palavra de chinês inventa um libreto onde a heroína é uma escrava que lamenta o seu infortúnio numa terra estranha, longe dos seus e sem fuga possível. Explica-lhe que ela chora pela rapariga enérgica que foi antes e pela dor de se ter tornado uma mulher solitária mas, acima de tudo, chora pelo amor que nunca sentirá nem poderá oferecer. E aqui, cada palavra é certeira na psicologia de Kitty. Ela tornar-se-á a amante de Charlie.

Mas, numa bela tarde, o Dr. Fane vem a casa para entregar a Kitty uma encomenda do pai dela e encontra a porta do quarto trancada e ouve-os. E eles, por sua vez, vêem o puxador da porta mexer-se, antes de a pessoa se afastar. “É ele? Não é? Podia ser a amah. E se for ele, o que é que interessa? Não fará nenhum escândalo”… Assim, resolvem os amantes o tormento, regressando aos braços um do outro.

Porém, o doutor irá enfrentar a situação de outra maneira: no dia seguinte anuncia a Kitty que existe uma terra chamada Mei-Tan-Fu, situada à beira de um afluente do rio Yangtze, no interior. É lá que um surto de cólera se alastra. Fala-se mesmo da pior epidemia de sempre. E ele ofereceu-se como voluntário. Kitty não quer acreditar que ele se tenha voluntariado e indigna-se quando ele lhe anuncia que vão os dois: “Para me animar e consolar?”, ironiza o marido que se sabe traído.

Kitty é então confrontada com a verdade e Fane sugere-lhe: ou vão os dois para Mei-Tan-Fu ou ele pede o divórcio e acusa-a de adultério com Charles Townsend. A mulher reage de forma romântica e apaixonada: o amante até quer casar com ela e ambos estão cansados de tanto secretismo.

Com muita calma, Walter Fane oferece-lhe uma segunda proposta: ele dá-lhe o divórcio de forma tranquila, na condição de Dorothy Townsend se divorciar de Charlie e de este prometer que casa com Kitty.

E, como uma pomba mensageira, cheia de esperança e ilusão, a rapariga parte em busca do amante para lhe transmitir as novas. Mas Charlie tem um cargo importante, Charlie só a abraça a pedido, e Charlie quer deixar Dorothy à margem de todos os problemas… É então que Kitty ri e chora ao mesmo tempo percebendo: “Walter nunca me quis dar o divórcio. Ele sabia que tu me desiludirias.” Retorna a casa, onde o marido já dera instruções à amah para fazer as malas de ambos…

E os dois partem para o interior, numa descida ao inferno literal: à volta deles as pessoas morrem. Por dentro, ambos estão mortos. Ela sente a falta do amante. Ele debata-se com a raiva e a dor da traição. Kitty acha que o marido a pune e isola-se. Walter exclui-a do seu campo de visão.

O único vizinho vivo é o comissário interino Waddington. É a ele que Kitty pedirá o favor de enviar uma carta para Charles mas desiste com a brutal verdade que o outro lhe transmite. Sim, ele conheceu os Townsend e nunca se esqueceu de uma frase de Dorothy: “Uma vez, ouvi-a dizer que considerava muito pouco lisonjeiro o facto de haver apenas mulheres medíocres a apaixonar-se pelo marido.” É nesse instante que o amante é esquecido. E Kitty sente-se ainda mais só.

Paralelamente, Walter Fane estuda a água e comprova uma contaminação geral no poço e rio. As medidas que sugere insurgem os aldeões já insatisfeitos com a presença britânica na China. O movimento nacionalista cresce e semeia ódio. Mas se Fane, neste cenário de caos e revolta, se entrega de corpo e alma ao trabalho, Kitty continua tão frágil, cansada e infeliz como quando chegou a Mei-Tan-Fu. E o vizinho, um dia, desabafa: “Este não é um lugar para uma mulher. Ao princípio, pensei que fossem um casal tão apaixonado que não se conseguissem separar. Mas o seu marido nunca olha para si. Olha para as paredes, para o chão, para os sapatos.”

Existe um véu que separa marido e mulher. Um nevoeiro que nasceu de uma traição e o cega de raiva: “Desprezas-me assim tanto?”, pergunta-lhe, desesperada. Ao que ele responde: “Não. Desprezo-me a mim por me ter permitido amar-te outrora.” E Kitty chora, ferida também.

Uma visita ao convento das Irmãs vai trazer uma lufada de ar fresco à vida do casal. Kitty começa a sentir-se útil ao auxiliar as freiras com as crianças, nomeadamente, toca-lhes piano, algo que sempre fizera na perfeição. Walter vê-a e recorda-a a descer a escadaria. Para ele, esse tinha sido o momento decisivo. Apaixonara-se à primeira vista.

As freiras não poupam elogios ao doutor tão misericordioso e gentil com os mais novos e Kitty começa a admirar o carácter e o empenho do cientista e aproveita a nova proximidade para lhe confidenciar ao serão: “Nós, seres humanos, somos muito mais complexos do que os teus micróbios. Somos imprevisíveis. Cometemos erros e desapontamo-nos uns aos outros.” E, por fim, dirige-lhe a pertinente questão: “Porque não derrubaste a porta quando eu estava com o Charlie? Podias ao menos ter tentado dar-lhe uma sova.”

E o Dr. Fane tem esta resposta genial: “Ele não era digno disso. Ou talvez eu seja demasiado orgulhoso para lutar.”

No dia seguinte, Walter Fane salvará Kitty de ser agredida por uns tantos desordeiros que a haviam encurralado. Torna-se o herói que ela desejou mas é-o desde sempre, mesmo quando ela não o via por ter os olhos vendados.

Nessa noite, em casa de Waddington que vive com a sensual Wan Xi, o casal bebe uns copos e ouve uns discos e instala-se um clima. Kitty questiona o britânico e quer saber o que a jovem chinesa vê nele. Ele traduz a resposta dela: “Ela diz que sou um bom homem.” E Kitty remata, com ar trocista: “Como se uma mulher amasse algum homem pela sua virtude.” E por ironia, serão as virtudes do marido a reacender-lhe o fogo da paixão.

Inspirados pelo erotismo da casa ao lado, Walter e Kitty cedem ao desejo dos seus corpos famintos e quebram o gelo. O amor físico aproxima-os de novo. Passeiam, partilham e, se ela lhe admira a personalidade e o trabalho, ele faz o que quem ama sempre acaba por fazer e perdoa-lhe a traição conjugal. A felicidade instala-se e, pela primeira vez, deslumbram-se com o cenário onde estão. O inferno tornou-se no paraíso. E depois, ela dá conta de que está grávida. E ele, o médico que adorava bebés e que fica tão feliz, de repente, ao vê-la tão hesitante, ganha coragem e enfrenta-a: “Kitty, sou eu o pai?”. E a mulher é de uma honestidade trágica: “Sinceramente, não sei. Desculpa.” “Bem… Isso agora não tem importância ou tem?” “Não. Não tem.” E abraçam-se, selando um novo recomeço.

Talvez neste momento, o médico pense em sair daquela terra. Mas o curso da vida segue tão célere como a água que escorre nas engenhocas por ele concebidas. Centenas de refugiados doentes chegam e invadem Mei-Tan-Fu. O doutor desespera porque sabe que com eles vem a cólera de novo. Fazem um campo para os tratar e será lá, numa tenda, que Walter Fane contaminado morrerá ao lado de uma Kitty impotente e assustada. Antes de morrer ele pede-lhe: “Perdoa-me.” E ela tranquiliza-o: “Perdoar? Não há nada para perdoar.”

As imagens finais aceleram, enquanto se ouve “À La Claire Fountaine”, uma música francesa, cujo refrão repete: “Há muito que te amo/ Nunca te hei-de esquecer.”

Em Londres, cinco anos mais tarde, Kitty encontra o antigo amante à saída da florista. Ele ainda deixa no ar que estará por lá durante três semanas e ela despede-se dele ignorando a investida. O filho pergunta-lhe: “Quem era, mamã?” e Kitty esclarece: “Ninguém de importância, amorzinho.”

“O Véu Pintado” é um filme de amor. Um amor que Somerset Maugham não pintou no romance que escreveu e que serve de base ao filme. É brilhante porque reinventa um enredo muito mais seco e pesado e dá-lhe uma dimensão humana, demasiado humana. Com toda a nossa complexidade e ambivalência.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nós mesmos



Só nos tornamos um ser humano completo, realizado em todas as potencialidades, quando, além de sermos nós mesmos somos capazes ao mesmo tempo de sermos nós mesmos com outro e nos sentimos felizes com isso.

Beijo de Amor



O medo da morte ou da angústia na vida real é ultrapassado num sono encantado. Mas a vida adormecida é a estagnação. Paramos de envelhecer mas não enriquecemos o nosso espírito. Os outros é que nos despertam para a vida. O beijo é assim e sempre uma promessa encerrada: a de uma felicidade possível ao lado de quem se ama.

Chaperon Rouge


Se não houvesse algo que me fizesse apreciar o lobo mau ele não teria poder sobre mim