segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Duquesa II





- Continue a pintar touros, Francisco. Encha-me a sala com telas vivas de sangue e paixão. Faça-os grandes porque adoro a bravura deles e a persistência, mesmo feridos de morte. Que dignos que são estes seus animais que você insiste em pintar e pintar na arena da vida que tanto o apaixona.

- Caetana… Mas eu quero pintá-la é a si. Um retrato memorável que faça justiça à sua beleza. Vestida de branco com o cabelo solto. E um laço vermelho.

- A minha boneca é negra e pequenina. Já lhe disse: pinte-me touros.

- Mas Caetana, minha feiticeira andaluza, deixa-me pintar-te vestida… desta vez.

- Como me seduzem os animais de grande porte. São imensos perante a mesquinhez dos mosquitos que teimam em zumbir à minha volta. Deve ser do clima. Achas que o meu marido trouxe o mosquiteiro? É tão incompetente… Podia bem ter alertado o criado para algo tão essencial mas só pensa naquelas sinfonias medonhas… Como se a vida fosse feita de música deprimente e alucinada. Ah, meu Francisco. Tu não me ouves mas entendes: lê os meus lábios, amor: PINTA-ME TOUROS DE GRANDES CORNOS.

E a duquesa de Alba precipitou-se para os braços do amante num prazer tão eufórico como incontido.

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