And for the first time, Constance was not scared, did not cry and was willing to take a picture with Santa Claus… Although hard to believe it’s a very special moment to remember :-))))
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Amazona
Levanto-me, visto-me em minutos, trato do pequeno-almoço, preparo a filha para o colégio. Vou tratar das compras para a casa: bens alimentares, roupa, aquecedor novo, árvore de Natal e o que for necessário. Preparo a comida, trato da roupa, arrumo, escrevo, conserto, pinto, arranjo e volto a arrumar. Vou buscar a filha ao colégio. O tempo passou rápido. Banho, jantar, paródia e ver se ela adormece quente e bem. Fujo da cama e volto a escrever. Por vezes, adormeço e já não fujo. Há dias que me cansam mais. Meter o carro na oficina, ir aos correios, farmácia, consultas minhas e dela. Não me posso esquecer dos remédios. Um novo DVD. Não consigo ouvir mais as vozes que dobram os desenhos animados. Preciso de um armário novo. Onde está o papel do seguro? E este telemóvel não pára de tocar… No final, quando olho para mim, o espelho devolve-me uma imagem de… amazona. É bom poder contar comigo.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Princesas na tela / Acrylic and oil painting of princesses
A primeira foi para a Constança. Depois... comecei a pintar em série!
The first one was for Constance. Then... I began a series of princesses!
The first one was for Constance. Then... I began a series of princesses!
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
O Meu Sonho... / My Dream...
Talvez por eu ser escritora ainda goste mais de ler e inventar estórias para a Constancinha. Descobri uma colecção fantástica de quatro pequenos livros intitulada "O Meu Sonho de..." e depois lá aparecem as fantasias eleitas das meninas: bailarina, fada, princesa e cavaleira. Não necessariamente por esta ordem, claro está. Mas o mais giro nestes livros é o facto de podermos recortar e colar uma fotografia das filhotas e fazê-las personagens da estória. O resultado? Quatro noites de gargalhadas gostosas antes de adormecermos. Deixo-vos as lindas imagens.
Maybe because I’m a writer I enjoy even more to read and make up stories to Constance. I found a great collection of four little books entitled “My Dream of…” and then, you get all little girls best fantasies: ballerina, fairy, princess and horsewoman. Not necessarily by this order. The funniest thing is that in these books we can cut out and paste pictures of our daughters in order to transform them into story characters. The result was four nights laughing like crazy before getting into sleep. I leave you with the adorable pics.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
The Poppy effect
Constance – as many little girls in the world, I suppose – is absolutely mad about Princess Poppy. Her favorite book is from The Pictures Books collection (not all translated into Portuguese yet) “The Wedding”.
I guess I’ve read that book thousands of times at bed time hour but she insists over and over again. I don’t know why she’s so fascinated by this story in particularly but she really is… I think is because Poppy doesn’t lie about her cousin’s dress when she accidentally ruins it. The fact that she stands for the truth makes her a real princess and Constance – who feels really embarrassed for Poppy’s accident – wants to be a princess like Poppy, which is the same to say a little girl who doesn’t lie.
Each time I begin to read a Poppy story Constance reassures Poppy character by saying: “Poppy I didn’t lie to mummy.” And Poppy – with my voice, of course – says to her: “Well done, Constance. That’s why you are a real princess like me.”
For about two months I read to Constance the eight books of Poppy collection. Then, I found the Poppy homepage with many activities and delicious games with flowers and baskets. She went nuts!
Constance is only three years old. She will be four next February. So my daughter is still very young to the Poppy Young Fiction Collection. Although we already have done one of the Activities Books: “On Barley Farm”. I think the others are too advanced for her.
Until now, the Poppy effect has been great! She doesn’t lie in order to always be a real princess, she wants to wear princess dresses at home and play with me as her mummy queen and she knows that she is not good in doing everything at once. Like Poppy she wanted to have ballet lessons, horse riding lessons and like Poppy’s friend Melody, she even wanted to learn how to play piano. At this moment, the Poppy effect was disturbing. So I told her: “You already have swimming lessons. First, you learn how to swim and then you will learn how to dance or how to ride a pony. You can’t do all at once. You’re just a baby and babies need time to do those things”.
She accepted my explanation with some distress. So, in order to calm her I decided to become her ballet teacher at home. She already has a ballerina costume and we use that and I choose to teach her listening to Borodin’s Prince Igor. At first, Constance was really excited but after some artistic jumps and beautiful pas de deux she said: “Mummy, I don’t like this music. It scares me…” I laugh but maybe she is right. Next time, I’ll try Tchaikovsky’s Nutcracker. I think that the Sugar Plum Fairy melody is absolutely marvelous!
So, we both are really grateful to Janey Jones, the author of Princess Poppy, to inspire children and their mums in getting fun out of live! Thanks so much!!!
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Há sempre um canalha de um John Smith...
De todas as princesas Disney, aquela que sempre menos me inspirou foi a Pochaontas. Por nada em particular… Achava o desenho dela demasiado estilizado. Depois, no Grande Livro das Princesas – uma obra espectacular com ilustrações lindas de morrer de uma Sara Ruano – li para a Constança a estória desta princesa índia. E aí, sim, a minha opinião mudou por completo e rendi-me aos encantos da verdadeira índia norte-americana, filha de um chefe tribal.
E para completar a minha formação no assunto de forma decisiva vi “The New World” (2005) com o Colin Farrell a fazer de John Smith e a Q’orianka Kilcher a interpretar a Pochaontas.
O que mais me comoveu foi a paixão e o deslumbramento da princesa índia pelo mundo colonial britânico. E a transformação dela para o integrar. A aprendizagem da língua e dos costumes. Dos gestos: desde os da beleza diária aos de pura diplomacia. A Pochaontas no final seria aprovadíssima pela Bobone em toda a sua etiqueta. Viajou até Londres e foi recebida pela rainha. O máximo. Mas depois morreu porque terá apanhado um vírus qualquer e os índios não eram vacinados. Suspeito que qualquer pessoa saudável morreria na Londres de outrora, basta ver os filmes de época, estilo Oliver Twist, para ficarmos cheios de tosse e comichão. E esta jovem até era bem anterior, séc. XVI, para sermos exactos.
Temos, então, uma princesa índia que era, obviamente, muito bela e vivia em comunhão com a Mãe Natureza, falando com os espíritos e dotada de uma inteligência e sensibilidade invulgares. Um dia, impede o pai de decapitar o capitão John Smith, pelo qual, se irá apaixonar. Salvar-lhe-á a vida uma segunda vez, avisando-o de uma cilada. Em troca, o belo capitão dá-lhe todo o seu amor. Tornam-se amantes. No filme, onde abundam frases belas e inesquecíveis, a Princesa dir-lhe-á: “Estás em mim. Corres nas minhas veias. Como um rio.”
A princesa abraça um mundo novo e diferente porque é o mundo do homem que ama. Ela quer ser linda aos olhos dele, de acordo com os padrões de beleza aí cultivados. São as cedências dos amantes, o limar de arestas para que tudo corra na perfeição. Mas… John Smith quer desbravar o mundo e descobrir Índias e afins, consagrar-se na cartografia. Como tal, um belo dia desaparece e pede a um amigo para, volvidos dois meses, comunicar a morte dele à princesa.
A dor. O desgosto da perda. A loucura. Século XVI ou século XXI é tudo igual… O mesmo desatino perante o fim do amor, acrescido do sofrimento por o julgar morto. No filme, a aia britânica da princesa incita-a com uma frase maravilhosa: “Tu és uma árvore. Às vezes, há ramos que se quebram mas mesmo danificadas, vê como elas não morrem. Continuam a crescer em direcção à luz, ao sol. Não deixes que um desgosto te roube a alegria da vida.”
E a princesa de mártir louca passa a ser uma sombra silenciosa mas… bela. Um dia, o dono de uma plantação de tabaco apaixona-se por ela e pede-a em casamento. Pochaontas passa a ser Rebecca Rolfe, já fala inglês fluentemente e dá à luz – ela que quase sucumbira nas trevas – um lindo rapaz, Tomás Rolfe.
O testemunho político de Pochaontas na altura foi aproveitado para demonstrar como os índios não eram assim tão selvagens. Ela era a prova viva. Fora “civilizada”. Por isso, ficou famosa. Mais importante do que isso: ficou um mito.
No filme, o marido que a adorava proporciona-lhe um encontro em Londres com Smith. É um jogo perigoso e arriscado. Mas ele decide combater a ilusão da cabeça dela e expulsar o rival de uma vez por todas. Podia ter falhado. A chama podia ter-se reacendido que isto do amor é muito complicado. Mas a princesa fala com o homem que lhe despedaçara o coração e percebe que o verdadeiro amor é aquele que está à espera dela – sem saber se ela regressará ou não – e que cuida do filho de ambos. Rebecca, ex-Pochaontas, desprezada como carga excessiva pelo capitão Smith, pergunta-lhe com um sorriso deslumbrante: “Encontraste as Índias, John?”. Perante a negativa, encoraja-o: “Mas hás-de encontrar.” E não se deixa enternecer com frases do género “Julgava que o que tínhamos vivido nos bosques era um sonho mas agora sei que é a minha única realidade”. Azar, Smith… A vida continua.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
I can be your hero baby...
I can be you hero baby
I can kiss away the pain
I will stand by you forever
You can take my breath away
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
If I were a boy Beyonce
If I were a boy even just for a day
I'd roll out of bed in the morning
And throw on what I wanted
And go drink beer with the guys
And chase after girls
I'd kick it with who I wanted
And I'd never get confronted for it
'Cause they stick up for me
If I were a boy
I think I could understand
How it feels to love a girl
I swear I'd be a better man
I'd listen to her
'Cause I know how it hurts
When you lose the one you wanted
'Cause he's taking you for granted
And everything you had got destroyed
If I were a boy
I would turn off my phone
Tell everyone it's broken
So they'd think that I was sleeping alone
I'd put myself first
And make the rules as I go
'Cause I know that she'd be faithful
Waiting for me to come home, to come home
If I were a boy
I think I could understand
How it feels to love a girl
I swear I'd be a better man
I'd listen to her
'Cause I know how it hurts
When you lose the one you wanted
'Cause he's taking you for granted
And everything you had got destroyed
It's a little too late for you to come back
Say it's just a mistake
Think I'd forgive you like that
If you thought I would wait for you
You thought wrong
But you're just a boy
You don't understand
And you don't understand, oh
How it feels to love a girl
Someday you wish you were a better man
You don't listen to her
You don't care how it hurts
Until you lose the one you wanted
'Cause you're taking her for granted
And everything you had got destroyed
But you're just a boy
I'd roll out of bed in the morning
And throw on what I wanted
And go drink beer with the guys
And chase after girls
I'd kick it with who I wanted
And I'd never get confronted for it
'Cause they stick up for me
If I were a boy
I think I could understand
How it feels to love a girl
I swear I'd be a better man
I'd listen to her
'Cause I know how it hurts
When you lose the one you wanted
'Cause he's taking you for granted
And everything you had got destroyed
If I were a boy
I would turn off my phone
Tell everyone it's broken
So they'd think that I was sleeping alone
I'd put myself first
And make the rules as I go
'Cause I know that she'd be faithful
Waiting for me to come home, to come home
If I were a boy
I think I could understand
How it feels to love a girl
I swear I'd be a better man
I'd listen to her
'Cause I know how it hurts
When you lose the one you wanted
'Cause he's taking you for granted
And everything you had got destroyed
It's a little too late for you to come back
Say it's just a mistake
Think I'd forgive you like that
If you thought I would wait for you
You thought wrong
But you're just a boy
You don't understand
And you don't understand, oh
How it feels to love a girl
Someday you wish you were a better man
You don't listen to her
You don't care how it hurts
Until you lose the one you wanted
'Cause you're taking her for granted
And everything you had got destroyed
But you're just a boy
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
42 minutos
Há pessoas para as quais estacionamos não umas horas, mas, dias, semanas, meses, ou até mesmo, anos. Estacionamos, isto é, paramos com a nossa vida e reformulamo-la em função de uma simpática coexistência. Ou de uma coexistência que desejamos simpática. A nossa personalidade lima aqui e acolá, cedemos um ponto e outro, toleramos, aceitamos e exigimos porque também damos. A vida a dois é feita de cedências, sabemos. Assistimos à partida de alguns amigos que provocam ciúme e torcemos o nariz às amigas que suspeitamos terem sido algo mais do que isso. Tudo se modifica na fusão a dois. Habituamo-nos. Aprendemos novos horários, rotinas e afazeres. Surgem novas obrigações e deveres a par com algumas compensações. Sentimos saudades da liberdade perdida. Nauseamos com a vida controlada, as justificações para os pequenos atrasos ou as demoras daquilo que de nós é esperado. Sofremos. Em silêncio, recolhemos lágrimas amargas por nada correr como sonhámos ou planeámos um dia. Culpamo-nos. A nós e ao outro. Acusamos, discutimos, guerreamos. Tudo é intenso e os dias passam a ser escarlates. Esses dias que passam a semanas e a meses e a anos. Tornamo-nos a dor e o cansaço. A exaustão. Perdemos a paciência, o desejo, a quimera. Somos um anjo partido. Fragmentado. Deixamos de acreditar. Vemo-nos no espelho da insegurança do outro. Alimentamo-nos de mentiras, traições e insultos. A capacidade de limite do ser humano é tão extraordinária quanto única. Os mais racionais encontrarão sempre uma justificação mesmo quando ela não existe, mesmo quando nos dizem ah estás a tapar o sol com uma peneira. Tudo se tapa, encobre, esconde. Principalmente, a desilusão. Porque ao assumirmos algo tão dramático e intenso estamos a um passo do falhanço. E isso é algo que desde pequeninos somos educados a evitar. Temos de vencer sempre, ficar por cima, dos fracos não reza a História…
A nossa imobilidade torna-se invisível. Mais do que um espírito que paira numa casa é a casa que paira em nós, que nos absorve, que exige o nosso sangue. Tudo tem de estar impecável. Mesmo que nós já não habitemos ali. O que se deita na nossa cama é o medo e o cansaço. Do que nos dizem… do que nos fazem… da tortura de vivermos uma farsa. Somos uma second life quando devíamos ser a única life and… wife. E, um dia, salta-nos a tampa e exigimos a verdade. Mesmo que essa verdade seja o fim de algo e o princípio de outra coisa qualquer. É preciso coragem para viver. Para todos os dias nos levantarmos e cuidarmos do que é nosso afinal. Os filhos.
Tropeço em pais e mães divorciados todos os dias. Hoje é coisa banal. Não é algo que encoraje ou apoie. Acredito que quando se ama tudo é possível. Até mesmo o perdão. Sobretudo o perdão. As mulheres tendem a perdoar e os homens – alguns – a repetirem os erros. Os homens também perdoam e as mulheres – algumas – voltam a decepcionar. Anda meio mundo desencantado com outro meio mundo. E desencontrado. Mas para todos os que acreditam neles próprios e no valor deles enquanto seres humanos há sempre uma luz ao fundo do túnel.
Acredito que a pior dor é sobrevivermos aos nossos filhos. Nunca vi desespero maior do que o daqueles pais que assistem impotentes à morte de um filho menor, seja por acidente ou doença. Os amores? Vão e vêm. O trabalho? Pode ser melhor ou pior. A doença fatal não tem volta a dar.
E pode ser que um dia, no meio de uma rotina de doidos, se encontre um ser humano que nos olhe de uma forma absolutamente singular. Alguém que nos oiça, para o qual mais do que visíveis sejamos vistosas, alguém que nos atropele as palavras e nos suspenda os gestos e que nos sussurre numa doce impaciência: “Já estás aqui há quarenta e dois minutos.” Alguém que nos apresse a viver, a amar, a não desperdiçar os preciosos minutos, dias, semanas, meses, ou até mesmo, anos, da nossa existência.
sábado, 23 de outubro de 2010
Cenas...
Há cenas muito complicadas. Como o facto de haver apenas uma chave para uma fechadura... Eu sei qual é a minha chave... Nunca abriu um mundo fantástico e maravilhoso mas... é a minha chave... e eu sei...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Carta de um PAI a um professor
"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
O teu olhar azul
Quando ela entrou na sala, ele interrompeu a brincadeira com os amigos e ergueu-se de um jeito automático, numa veneração muda. Esse momento - do olhar dele para ela - pareceu-me uma eternidade... Ela não estava nem aí. Agarrada à minha mão, tímida mas entusiasmada, não olhava para ninguém em particular mas revia-os a todos. E ele permanecia preso à visão dela, em pé como um cavalheiro perante a sua dama, incapaz de retomar a brincadeira com os outros dois, os quais prosseguiam os jogos sentados no chão. Cumprimentei-o mas ele ignorou-me. Só ela existia e aquele olhar azul inspecionava-a, absorto e encantado. Depois, fomos guardar a mochila e eu deixei-a com o coração apertado mas deveras impressionada com a reacção espectacular do amiguinho especial. E pensei na sinceridade de um olhar derretido de um miúdo de três anos... Porque será que, ao longo da vida, se estragam os corações verdadeiros? E foi assim, o primeiro dia da Constança de regresso ao Colégio.
domingo, 5 de setembro de 2010
Para príncipes
- Que castelo é aquele, amor? Já imaginaste alguém a viver ali? É lindo e, olha, tem a bandeira da ordem dos Templários...
- É para príncipes que não existem a não ser nas histórias que conto à minha filha.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
FIAT 500
É lindo este carro! Fácil de conduzir. O leitor de CD lê também mp3. O painel é espectáculo. Arruma-se bem e apita. Adorava tê-lo na versão cabriolet. Mas só o consegui comprar numa versão miniatura e com uma Barbie ao lado lolol
domingo, 8 de agosto de 2010
And death shall have no dominion
And death shall have no dominion
Dead men naked they shall be one
With the man in the wind and the west moon;
When their bones are picked clean and the clean bones gone,
They shall have stars at elbow and foot;
Though they go mad they shall be sane,
Though they sink through the sea they shall rise again
Though lovers be lost love shall not;
And death shall have no dominion.
Mais um poema absolutamente soberbo de Dylan Thomas
Do not go gentle into that good night
Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.
Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.
Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.
Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.
Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.
And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
Poema de Dylan Thomas, dedicado ao pai moribundo e considerado um dos seus melhores trabalhos.
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.
Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.
Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.
Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.
Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.
And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.
Poema de Dylan Thomas, dedicado ao pai moribundo e considerado um dos seus melhores trabalhos.
domingo, 18 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Uma janela de luz
- Mas dra. porque é que tenho de abrir mão dessa janela de luz na minha vida?
- Você brinca com o fogo...
- Ah... brinco mesmo.
- Você brinca com o fogo...
- Ah... brinco mesmo.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Eu e o meu pai na praia
Querido pai,
A saudade é grande mas obrigada por me visitares nos sonhos e viveres neste coração que ainda bate. Adoro-te.
sábado, 19 de junho de 2010
José Saramago 1922-2010
Quando ele terminou, as mãos dela já não estavam frias, as suas ardiam, por isso foi que as mãos se deram às mãos e não se estranharam. Passava muito da uma hora da madrugada quando o violoncelista perguntou, Quer que chame um táxi para a levar ao hotel, e a mulher respondeu, Não, ficarei contigo, e ofereceu-lhe a boca. Entraram no quarto, despiram-se e o que estava escrito que aconteceria, aconteceu enfim, e outra vez, e outra ainda. Ele adormeceu, ela não. Então ela, a morte, levantou-se, abriu a bolsa que tinha deixado na sala e retirou a carta de cor violeta. Olhou em redor como se estivesse à procura de um lugar onde a pudesse deixar, sobre o piano, metida entre as cordas do violoncelo, ou então no próprio quarto, debaixo da almofada em que a cabeça do homem descansava. Não o fez. Saiu para a cozinha, acendeu um fósforo, um fósforo humilde, ela que poderia desfazer o papel com um olhar, reduzi-lo a uma impalpável poeira, ela que poderia pegar-lhe fogo só com o contacto dos dedos, e era um simples fósforo, um fósforo comum, o fósforo de todos os dias, que fazia arder a carta da morte, essa que só a morte podia destruir. Não ficaram cinzas. A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem compreender o que lhe estava a suceder, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe fazia descair suavemente as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.
In As Intermitências da Morte de José Saramago
Por uma hora ficaram os dois sentados, sem falar. Apenas uma vez Baltazar se levantou para pôr alguma lenha na fogueira que esmorecia, e Blimunda espevitou o morrão da candeia que estava comendo a luz e então, sendo tanta a claridade, pôde Sete-Sóis dizer, Por que foi que perguntaste o meu nome, e Blimunda respondeu, Porque minha mãe o quis saber e queria que eu o soubesse, Como sabes, se com ela não pudeste falar, Sei que sei, não sei como sei, não faças perguntas a que não posso responder, faze como fizeste, vieste e não perguntaste porquê, E agora, se não tens onde viver melhor, fica aqui, Hei-de ir a Mafra, tenho lá família, Mulher, Pais e uma irmã, Fica, enquanto não fores, será sempre tempo de partires, Porque queres tu que eu fique, Porque é preciso, Não é razão que me convença, Se não quiseres ficar, vai-te embora, não te posso obrigar, Não tenho forças que me levem daqui, deitaste-me um encanto, Não deitei tal, não disse uma palavra, não te toquei, Olhaste-me por dentro, Juro que nunca te olharei por dentro, Juras que não o farás e já o fizeste, Não sabes do que estás a falar, não te olharei por dentro, Se eu ficar, onde durmo, Comigo.
Deitaram-se. Blimunda era virgem. Que idade tens, perguntou Baltasar, e Blimunda respondeu, Dezanove anos, mas já então se tornara muito mais velha. Correu algum sangue sobre a esteira. Com as pontas dos dedos médio e indicador humedecidos nele, Blimunda persignou-se e fez uma cruz no peito de Baltasar, sobre o coração. Estavam ambos nus. Numa rua perto, ouviram vozes de desafio, bater de espadas, correrias. Depois o silêncio. Não correu mais sangue.
Quando, de manhã, Baltasar acordou, viu Blimunda deitada ao seu lado, a comer pão de olhos fechados. Só os abriu, cinzentos aquela hora, depois de ter acabado de comer e disse, Nunca te olharei por dentro.
In Memorial do Convento de José Saramago
Estavam nos braços um do outro, mas ainda não se beijavam, olhavam-se e sorriam muito, o rosto alegre, e depois o sorriso recolheu-se lentamente, como água que a terra estivesse sorvendo e saboreando, até que ficaram sérios os dois, fitando-se, uma rápida sombra subtil adejou pelo quarto, veio e fugiu logo, e então umas asas imensas e poderosas envolveram Maria Sara e Raimundo Silva, apertando-os como a um único corpo, e o beijo começou, tão diferente daquele que aqui se tinham dado ontem, eram as mesmas pessoas, eram outras, mas dizer isto é ter dito nada, porque ninguém sabe o que o beijo é verdadeiramente, talvez a devoração impossível, talvez uma comunhão demoníaca, talvez o princípio da morte. Não foi Raimundo Silva quem conduziu Maria Sara à cama, nem ela para ali o impeliu suavemente como distraída, ali se acharam, sentados primeiro na borda do colchão, amarrotando a colcha branca, depois ele deitou-a para trás e continuaram beijar-se, ela rodeava-lhe a nuca com os braços, o braço direito dele servia de apoio à cabeça dela, mas o esquerdo parecia hesitar, sem saber o que fazer, ou sabendo-o e não ousando, como se um final e invisível muro se houvesse interposto no último segundo, guiou-o finalmente a sábia mão, tocou a cintura de Maria Sara, desceu até à anca e foi pousar, quase sem pressão, no arredondado da coxa, para subir depois, devagar, pelo corpo acima, até ao peito, agora a memória dos dedos pôde reconhecer a macieza do tecido da blusa em que tocava pela primeira vez, a sensação foi rapidíssima e no mesmo instante diluída pela consciência tumultuosa de que sob a mão banal do homem estava o prodígio de um seio.
In História do Cerco de Lisboa de José Saramago
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