sábado, 3 de outubro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
QUERO VER O DARTACÃO!!!!!!!!!!!!!!!
Há 165 anos atrás, um senhor gordo de bigode farfalhudo divertia-se a escrever algo que, inicialmente, foi um folhetim no jornal Le Siècle e, nesse mesmo ano, passou a romance. Volume inicial de uma trilogia, suponho que o autor nunca imaginaria que volvidos tantos anos a sua obra ainda empolgasse os vivos… E assim é. E tu, minha querida, na inteligência com a qual foste brindada por Deus e que me espanta e envaidece todos os dias, és também, aos dois anos e meio, uma fã dos famosos mosqueteiros.
Tudo começou com o filme de longa-metragem dos teus amigos Mickey, Donald e Pateta. Visionado um milhar de vezes acabaste por decorar diálogos e entoar canções. E corriges-me se eu invento e não canto certo. Depois, estávamos as duas num quiosque e só te vejo de rabo para o ar a espreitar qualquer coisa no chão, entre mochilas e jornais: “Mamã! – chamas-me frenética – Está aqui um cão mosqueteiro!”. E lá veio o famoso Dartacão, o teu mais recente e inseparável amigo.
Não te cansas de ver e rever o Dartacão, de me pedir uma espada como se fosse um gelado e um chapéu com uma pena. Ou a tua insistência de irmos a Paris, como se lá existisse ainda o célebre corpo de elite dos guardas do rei ou a gata Marie.
Querida Constança, como és linda e ingénua… E como faço tudo para te agradar, lá fomos à procura de uma espada. Os empregados da loja ficaram tão derretidos com a tua fibra que um deles convenceu-te de que um balão cilíndrico com bolas de esferovite e um sino de gato lá dentro e, claro, o Mickey, o Pateta e o Pluto cá fora seria a espada ideal para ti. E foi buscar uma para ele e vocês esgrimiram armas, enquanto a colega dele com uma flauta tocava o tema musical da série animada. E cantaram os dois: Eram uma vez os três/ Os famosos Moscãoteiros/ Do pequeno Dartacão/ Tão bons companheiros/ Os melhores amigos são/ Os três moscãoteiros/ Quando em Aventuras vão/ São sempre os primeiros”.
Tu estavas nas nuvens… O teu ar radiante parecia dizer encontrei a minha gente… E enquanto pulavas e rias com a tua magnífica arma iniciaste, tu própria, a versão mais romântica da música que mais adoras trautear: “O amor da Julieta/ É o Dartacão/ E ela é a predilecta/ Do seu coração.” Bom, e até eu me juntei no coro: “Dartacão, Dartacão/ Correndo grande perigos/ Dartacão, Dartacão/ Perseguem os bandidos/ Dartacão, Dartacão/ E os três moscãoteiros longe vão chegar.”
Sei bem como vibras com o lema deles “Um por todos e todos por um!”, só não sei é como é que uma menina com a tua tenra idade se deixa empolgar por estas estórias de camaradagem e aventuras… Ah! E quando o empregado te perguntou para que querias tu ser mosqueteiro respondeste sem hesitar: “Para matar os bandidos… e os monstros.” Genial, mademoiselle.
Agora vou resumir-te algumas coisas muito giras que ainda não sabes sobre esta trupe de capa e espada.
O título inicial que Dumas deu à obra era “Athos, Porthos e Aramis” mas foi alterado para “Os Três Mosqueteiros”. Os editores sempre gostaram de melgar os autores… Enfim, Dumas lá aceitou a sugestão achando que o seu absurdo (já que os seus heróis são ao todo quatro) iria contribuir para o sucesso da obra.
Muitas das personagens existiram na realidade e outras são fictícias. Entre as primeiras encontram-se os quatro mosqueteiros, cujos nomes verdadeiros são: Charles de Batz de Castelmore D’Artagnan, Armand de Sillègue d’Athos d’Autevielle, Isaac de Porteau e Henri d’Aramitz.
Pela estátua que existe de D’Artagnan, em Maastricht, ele foi seguramente um dos mais sexys capitães-tenentes da Primeira Companhia dos Mosqueteiros.
Mas o mais inacreditável, meu amor, é que a grande paixão de D’Artagnan na obra de Dumas se chama CONSTANCE…
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Cerejas
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Meu pequeno dragão
Deste mês de Agosto vou recordar o teu riso feliz, a exuberância das tuas corridas, o olhar de puro êxtase com o qual brindavas a tua prima pouco mais velha do que tu. Vou guardar para sempre na memória o teu corpinho pequeno de pernas apetitosas, braços mordíveis e barriguinha saliente, tão trigueiro e lindo, movendo-se à beira-mar ou no descanso sereno na chaise-longue. Vou lembrar-me de me banhar contigo no meu colo, de percorremos a praia de mão dada, da tua alegria aos saltos nas piscinas de areia que fiz para ti. Sempre que estiver triste pensarei nas tuas gargalhadas enquanto perseguias a Bi e fingias ser um dragão ou na forma implacável como saltavas para cima dela só para lhe cravar um beijo, tu que és tão beijoqueira e dada aos saltos e pulos de toda a espécie.
Quando a angústia me bater à porta vou evocar as tuas perguntas tão maravilhosas e inocentes como tu: “Mamã, quando encontrarmos o Mickey posso brincar às escondidas com ele?”. Ou a tua lógica desarmante: “Tu gostas de cenouras. És um cavalinho.”
E se todos os meus gestos diários ao longo do ano são para ti, os deste mês marcam-me mais por serem bem tranquilos, polvilhados de sol, salpicados de água e embalados pela tua felicidade. Gosto de te ver crescer. Todas as tuas frases. A tua educação que já começa a ser polida. Os teus medos que me fazem sorrir secretamente… medo do Edgar que leva os gatinhos, medo do sapo que assusta a Marie, medo de dragões mas como tu os imaginas, isto é, sem os associares aos dragões mitológicos, o que é o máximo. E neste terror, em particular, associas-te, sem saber, aos antigos cartógrafos que quando exploravam os territórios e chegavam a zonas dúbias que temiam, ao invés de se aventurarem, apenas escreviam nos seus mapas: daqui para diante há dragões. É engraçado como o teu medo faz parte deste pavor secular e inconsciente.
Como me posso esquecer dos teus gritinhos ao entrares nos quartos minúsculos do Convento dos Capuchos, em Sintra? Divisões à tua medida, de dois anos e meio. E a expressão radiante da Bi quando descobriu as moedas na fonte do pátio: “Madrinha, é verdade o que tu disseste! Estão moedas lá dentro! A sério que não as podes ver? De verdade que só nós, as crianças, as podemos ver? Tu não as vês, pois não? Pois não?”.
Não há nada neste mundo que pague um momento destes. São retalhos de magia, bocados cintilantes a iluminarem um mundo sombrio e feio. E é por isso que não deveria ser difícil fazer as crianças felizes. Só por impaciência ou maldade nos podemos esquecer de dar o melhor a quem o merece.
Vocês irão crescer e tudo irá mudar. As pessoas partem, adoecem e morrem. E o que fica é um punhado de recordações. Não sei se no futuro, quando vocês forem mais crescidas, ainda sentirão a loucura desmedida que nutrem agora uma pela outra. No fundo, espero que sim e que sejam sempre boas amigas e primas amorosas.
A mamã teve azar e a prima preferida dela morreu tragicamente no Verão de 1979. É uma data difícil de esquecer. Ficaram outras primas mas os episódios da minha infância que ainda hoje me fazem rir e chorar foram ao lado da Mafaldinha. Talvez um dia te possa contar uma ou outra peripécia. Mas agora o palco é teu. A mamã já teve a sua infância dourada e agora a vez é tua, meu amor pequenino.
Desejo fazer-te o mais feliz possível e, quando o meu dia começa com essa vozinha ensonada a dizer bom dia, mamã sei que estamos no bom caminho. Eu e tu. Mosqueteiras para a vida.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
O Espelho de Margarida
“Um espelho nunca mente, fiel como ninguém”, pensou a princesa Margarida, mirando-se de alto a baixo. Ganhou então coragem e perguntou em bicos de pés e num fio de voz: “Espelho meu, espelho meu, diz-me tu se a solidão faz o amor ver melhor na escuridão?”. Ao que o espelho respondeu: “Quando o visado não se olha a si próprio e não se revê nos gestos que tem e nas palavras que diz falta-me o poder de o elucidar. O meu reflexo, nesses casos, é apenas vaidade.”
A princesa Margarida não desarmou e insistiu: “Espelho meu, espelho meu, diz-me tu onde estão os braços dele e os meus passos para onde vão?”. Ao que o espelho, de prontíssima resposta proferiu: “Pequena princesa… suspiras por braços que nunca te abraçaram e se o fizeram foi numa mediocridade afectiva e no mais falso dos ambientes. Porque anseias por uns braços assim, quando as tuas lindas pernas podem trilhar caminhos inicialmente penosos mas levar-te-ão à PAZ merecida? Acredita nos teus passos. Hoje vacilantes, amanhã linda e segura. Não tenhas medo de arriscar. O que assusta é a estagnação. É ficar por medo do desconhecido.”
Afastando uma lágrima por a resposta não ter sido do seu agrado, a princesa confessou: “Espelho meu, espelho meu, mas sinto-me como um barco vazio, pelas margens do rio. Não há anjo mais triste e o meu canto é breve e cansado. Queria que alguém me levasse mas dorme o meu pequeno mundo.”
“Trata e guarda o que é teu afinal”, respondeu-lhe o espelho e prosseguiu: “Em ti, vive a arte de ser parte de um mundo melhor. Sobe ao cimo de ti e no alto rasga as voltas que des-te. Fica em silêncio e paz.”
“Pois é… mas por amor vejo agora a minha vida meio perdida neste beco sem saída… Apetece-me soltar as feras e fazer magia, desapertar os sentidos e ser Deus por um dia”, desejou para si própria.
Depois, apanhou o cabelo louro, viu o reflexo dos seus olhos verde-esmeralda e voltou a questioná-lo: “Espelho meu, espelho meu, de que me adianta ter agora os olhos bem abertos? Deixa-me vazia e só. Ironias. Não gosto de viajar sem saber para onde vou. Ir sem bagagem, nem direcção. Sair sem destino.”
O espelho tossiu incomodado: “Mas tu, princesa Margarida, sabes de cor o melhor e o pior, sabes mais do que querias. Não me ponhas a adivinhar. Não digas que o louco sou eu. És senhora do tempo sem fim. Minha jóia de luz, oiço só o que disseres e diz tudo o que quiseres. Só para te distraíres eu faço dançar a lua.”
A princesa soltou um risinho e inclinou a cabeça para trás numa eterna coqueterie feminina. Uma brisa despenteou-a, ágil, e os seus olhos brilharam de vida, acendidos: “Espelho meu, espelho meu, na verdade tu és a soma de tudo, claridade, o outro lado das coisas que não entendo. Chega mais ao pé de mim e repete por favor as palavras que me faltam, diz-me assim: há sempre lugares onde o céu é de todas as cores e o mar é como o fizeres.”
“Digo-te que tenho visto castelos, princesas, muralhas de papelão, dúvidas, certezas, deuses sem coração. Ganha quem souber calar, ganha quem souber esquecer. Esquece a dor que agora sentes que ela há-de passar e essas feridas abertas do amor também hão-de sarar.”
A princesa olhou para o seu reflexo muito séria e repreendeu-o: “Vasculhaste os meus segredos e eu deixei sem reservas ou pudor. Agora, lava de mim todas as sombras do medo, sombras que andam pelo ar em segredo. Quem atrás dos panos se esconde afinal? Floresta de enganos, meu vaso de cristal, já cansei de fugir, de tentar me enganar, volto sempre, sempre aqui, ao fundo de mim… É como se fosse uma força estranha, um canto frio de sereia chamando do fundo do mar. Guarda o que resta de mim… junto ao peito.”
E o espelho viu-a, leve, senhora do vagar dela, livre de partir ou de ficar. Serena como a noite. E soube que um dia seria resgatada. Mas não lho disse e seguiu apenas os gestos dela de LUZ.
Adoro a voz de PAULO GONZO. É máscula e viril, sofrida e sentida, bêbeda e louca, mágica e sedutora, numa palavra diria, POESIA. Bem haja por a partilhar com todos nós.
A princesa Margarida não desarmou e insistiu: “Espelho meu, espelho meu, diz-me tu onde estão os braços dele e os meus passos para onde vão?”. Ao que o espelho, de prontíssima resposta proferiu: “Pequena princesa… suspiras por braços que nunca te abraçaram e se o fizeram foi numa mediocridade afectiva e no mais falso dos ambientes. Porque anseias por uns braços assim, quando as tuas lindas pernas podem trilhar caminhos inicialmente penosos mas levar-te-ão à PAZ merecida? Acredita nos teus passos. Hoje vacilantes, amanhã linda e segura. Não tenhas medo de arriscar. O que assusta é a estagnação. É ficar por medo do desconhecido.”
Afastando uma lágrima por a resposta não ter sido do seu agrado, a princesa confessou: “Espelho meu, espelho meu, mas sinto-me como um barco vazio, pelas margens do rio. Não há anjo mais triste e o meu canto é breve e cansado. Queria que alguém me levasse mas dorme o meu pequeno mundo.”
“Trata e guarda o que é teu afinal”, respondeu-lhe o espelho e prosseguiu: “Em ti, vive a arte de ser parte de um mundo melhor. Sobe ao cimo de ti e no alto rasga as voltas que des-te. Fica em silêncio e paz.”
“Pois é… mas por amor vejo agora a minha vida meio perdida neste beco sem saída… Apetece-me soltar as feras e fazer magia, desapertar os sentidos e ser Deus por um dia”, desejou para si própria.
Depois, apanhou o cabelo louro, viu o reflexo dos seus olhos verde-esmeralda e voltou a questioná-lo: “Espelho meu, espelho meu, de que me adianta ter agora os olhos bem abertos? Deixa-me vazia e só. Ironias. Não gosto de viajar sem saber para onde vou. Ir sem bagagem, nem direcção. Sair sem destino.”
O espelho tossiu incomodado: “Mas tu, princesa Margarida, sabes de cor o melhor e o pior, sabes mais do que querias. Não me ponhas a adivinhar. Não digas que o louco sou eu. És senhora do tempo sem fim. Minha jóia de luz, oiço só o que disseres e diz tudo o que quiseres. Só para te distraíres eu faço dançar a lua.”
A princesa soltou um risinho e inclinou a cabeça para trás numa eterna coqueterie feminina. Uma brisa despenteou-a, ágil, e os seus olhos brilharam de vida, acendidos: “Espelho meu, espelho meu, na verdade tu és a soma de tudo, claridade, o outro lado das coisas que não entendo. Chega mais ao pé de mim e repete por favor as palavras que me faltam, diz-me assim: há sempre lugares onde o céu é de todas as cores e o mar é como o fizeres.”
“Digo-te que tenho visto castelos, princesas, muralhas de papelão, dúvidas, certezas, deuses sem coração. Ganha quem souber calar, ganha quem souber esquecer. Esquece a dor que agora sentes que ela há-de passar e essas feridas abertas do amor também hão-de sarar.”
A princesa olhou para o seu reflexo muito séria e repreendeu-o: “Vasculhaste os meus segredos e eu deixei sem reservas ou pudor. Agora, lava de mim todas as sombras do medo, sombras que andam pelo ar em segredo. Quem atrás dos panos se esconde afinal? Floresta de enganos, meu vaso de cristal, já cansei de fugir, de tentar me enganar, volto sempre, sempre aqui, ao fundo de mim… É como se fosse uma força estranha, um canto frio de sereia chamando do fundo do mar. Guarda o que resta de mim… junto ao peito.”
E o espelho viu-a, leve, senhora do vagar dela, livre de partir ou de ficar. Serena como a noite. E soube que um dia seria resgatada. Mas não lho disse e seguiu apenas os gestos dela de LUZ.
Adoro a voz de PAULO GONZO. É máscula e viril, sofrida e sentida, bêbeda e louca, mágica e sedutora, numa palavra diria, POESIA. Bem haja por a partilhar com todos nós.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Casa de Mulheres
Já há muito tempo que as respostas de uma entrevistada não me faziam sorrir numa velada cumplicidade. Por isso, transcrevo os parágrafos que mais me tocaram:
“Quando se parte para um casamento, parte-se para um projecto de vida e para a vida. Foi assim que encarei o meu casamento e, quando as coisas não correm como nós queremos, toda a nossa vida fica em causa e nós próprios ficamos em causa. Existiu, nesse momento, um balanço enorme que foi preciso fazer e decidir se a vida deveria continuar naqueles moldes ou se era possível viver uma vida diferente, mais fácil, mais inteligente e mais bonita. Foi esse o trabalho que fiz, grande parte dentro do casamento, até chegar aqui. Sinto que cresci muito. Acho que consegui fazer uma mudança inteligente na minha vida. Hoje as coisas estão arrumadas, o tsunami passou.”
“Quando de repente uma vida deixa de ser a três e ficamos duas, eu e a Joana, o nível de responsabilidade é muito maior, porque ao meu lado está uma pessoa que tenho de ajudar a crescer estruturada e forte. Nesse momento, olhei para mim e percebi que era a única responsável pela casa, pelo carro, pelo emprego, pela minha filha e perguntei-me se seria capaz. A verdade é que estou a ser, e de uma forma muito tranquila, desatando muito nós que tinha para desatar e reerguendo-me.”
“É uma casa de mulheres, uma república feminina garantidamente muito divertida e muito bem habitada.”
“Obviamente que quando acabamos uma relação é na perspectiva de se ser mais feliz do que se era nessa relação.”
“Foi para ser feliz que me dei ao trabalho de me divorciar. É isso que mais quero: ser feliz com a minha filha. Só quero continuar o meu caminho e, um dia destes, virar a esquina e encontrar o que me falta.”
As respostas são da jornalista Ana Lourenço à revista Caras nº726, edição 11 de Julho 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Summer School
Durante este mês, o infantário da Constança transforma-se numa animada Summer School. Assim, ontem, iniciaram todo um percurso de refrescantes actividades com uma ida ao teatro “Tom and Hulk”, no Jardim Botânico, em Lisboa, seguida de um alegre pic-nic. Hoje, vai à praia e, pela primeira vez, entrou no infantário a cantar alegremente! Já ontem – devido ao melodioso percurso de autocarro – não parou de cantar noite adentro: Fui ao jardim da Celeste giroflé, giroflá, fui ao jardim da Celeste giroflé, flé, flá / Lá em cima está o tiro-liro-liro, cá em baixo está o tiro-liro-ló! Juntaram-se os dois à esquina a tocar a concertina e a dançar do solidó / Na quinta do Tio Manel i-a-i-a-ô há vaquinhas a granel, etc…
Eu própria tive de refrescar as minhas memórias para a poder acompanhar nas cantorias a que ela é muito chegada como admitiu o pai, orgulhoso da veia lírica do rebento. E amanhã a bebé vai estrear-se num atelier de pintura.
Alguns amigos meus acham estranho que continue a designá-la por bebé. Mas a Constança com os seus dois anos e, a fazer em breve os dois e meio, ainda é muito bebezinha mesmo. E só apetece enche-la de mimos, beijos, presentes e surpresas a toda a hora.
Para a semana, o relvado da escola vai estar repleto de pequenas piscinas para a malta pequena chapinhar e brincar e têm planeada uma visita a uma quinta pedagógica, muitos jogos tradicionais, mais idas à praia e ateliers de várias técnicas, incluindo modelagem em barro. Também durante este mês irão ao Museu do Brinquedo e ao Jardim Zoológico, à Baía dos Golfinhos.
Para a Constança, o infantário adquiriu um novo brilho. Deixou de ser uma “prisão” para passar a ser algo espectacular, repleto de surpresas e animação!!! À noite dorme que nem uma pedra… E eu descanso também.
Não há nada mais encantador na vida do que assistir ao espectacular desabrochar de um ser humano. Cada dia é mais uma pétala que rebenta, uma frase nova que surge, uma vitória no conseguir sozinha, um avanço e uma progressão velozes. Como me sinto privilegiada por assistir na primeira bancada à one-child-show que é a minha filha.
Ontem, por exemplo, falei ao telefone com alguém que ela não via desde muito bebé e a Constança identificou perfeitamente a interlocutora e expressou-se de forma perfeita. Fiquei arrepiada… Assombrada… Às vezes, não parece deste mundo.
Sei bem que todos os pais enaltecem os seus filhos, muitas vezes, até, imerecidamente mas fazem-no por ignorância. No entanto, esta criança fala por si e só quem a vê pode presenciar e sentir uma alegria tamanha.
No fundo, as crianças são e serão sempre a nossa esperança para um mundo melhor. Como pequenas sementes, se forem bem tratadas irão crescer e fazer a diferença. Por isso, os grandes pensadores tiveram sempre uma mensagem sobre elas para nós, os adultos, meditarmos. Aqui ficam algumas:
“Deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o reino dos céus” Jesus Cristo
“O melhor do mundo são as crianças” Fernando Pessoa
“As crianças não têm passado, nem futuro, e coisa que nunca nos acontece, gozam o presente” Jean de La Bruyère
“Não há crianças ilegítimas – só pais ilegítimos” Léon R. Yankwich
“O correr das águas, a passagem das nuvens, a brincadeira das crianças, o sangue nas veias. Esta é a música de Deus” Hermann Hesse
“A melhor maneira de tornar as crianças boas é fazê-las felizes” Oscar Wilde
“As crianças têm mais necessidade de modelos do que de críticas” Joseph Joubert
“Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que NADA justifica tal sofrimento” Albert Camus
“De todos os presentes da Natureza para a raça humana o que é mais doce do que as crianças?” Ernest Hemingway
“As crianças são o ornamento da vida neste mundo” Textos Islâmicos
“Crianças mortas mundo que escreve mal por linhas tortas” Carlos Seabra
“Os escritos são a descendência da alma assim como as crianças o são do corpo” Clemente Alexandria
“A RUA é a mãe de muitas crianças, o LIXO é o berço de muitos bebés, a nossa indiferença é o INFANTICÍDIO” David Saleeby
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