Acho que hoje ninguém vai falar de outra coisa ou podem falar de tudo mas disto também: a morte de Michael Jackson. Aos cinquenta anos, o coração do outrora grande cantor e Rei da Música Pop decidiu parar. Morreu antes da velhice, inesperadamente, como mais um capricho da Senhora da Foice. Mas sejamos honestos: Michael Jackson já tinha morrido para nós. Excêntrico e isolado, a última notícia que dele sabíamos era que ia dar uns concertos finais em Londres para depois se retirar da carreira musical. Ele que era a Música, que inventou os videos mais espectaculares de sempre ou os passos de danças e os gritinhos imitados por todos os outros que o sucederam.
Quando somos jovens temos sempre os nossos ídolos. O meu era o Michael. No meu quarto, as paredes suportavam toneladas de papel com fotos e recortes de imprensa, posters e tudo o que eu encontrasse dele. Possuia todos os discos de vinil, os mais famosos e os menos conhecidos, do tempo dos Jackson Five. Adorava ouvir aquela voz andrógina e dançar ao ritmo de Billie Jean. Eu e as minhas primas, em particular a Teresa, que me traziam de Paris as t-shirts, os bonés, as luvas, as meias fosforescentes e tudo o mais que aqui, em Portugal, não se encontrava em parte alguma.
As mães das outras crianças paravam-me na rua: "Olha que giro! Onde é que compraste isso? A minha filha ia adorar!". Ao que respondia muito orgulhosa: "Foi uma tia que me trouxe de França" e lá partia a bailar rua fora.
Até tive uma amiga negra que me ensinou a dançar e a usar o chapéu com estilo. E na praia, a minha mãe ia atrás de mim e da Té porque andávamos malucas atrás dos miúdos de cor que saltavam do paredão e achávamos lindos de morrer.
Foi esta prima que me contagiou numas férias. Trouxe a cassete do Thriller e, a partir daí, vivia para aquele ser. Comecei por pronunciar o nome dele à francesa: Jácksón lol Michele Jácksón. Depois lá corrigi o francesismo da prima. E fiz um caderno, que ainda guardo, escrito pela minha mão de criança, com a transcrição de um sem número de entrevistas dadas pelo cantor. Era a loucura. A minha mãe chegou a desafiar-me a forrar o tecto do quarto, a única área livre.
Depois, aos poucos, deixei de gostar dele. Primeiro, odiei as operações plásticas. Um preto a querer ser branco à força não me pareceu normal. E o nariz, tantas vezes operado, a máscara, tudo isso o desconsiderou aos meus olhos. Deixei de seguir a música dele. Quando saiu Bad já estava noutra.
Seguiram-se os escândalos com as crianças, a PEDOFILIA, os milhões pagos por ele para calar as famílias. O Michael morreu de vez. E, nesse momento, morreu não só para mim como para o mundo inteiro. Poucos acreditavam na sua inocência. A mãe dos seus filhos brancos aproveita para confessar que ele nem sequer é o pai das crianças mas que lhe pagou generosamente o silêncio dela.
Vejamos então: este homem que é um génio na música é também um doente. A PEDOFILIA é uma doença na qual o cérebro tem fome sexual de crianças. A cura é quase impossível e os crimes sucedem-se, uns atrás dos outros, sem que existam censores cerebrais para travar o impulso.
Os adultos normais que mantêm relações saudáveis com as crianças - suas e dos outros - mostraram repúdio por este homem e ele, naturalmente, excluiu-se de nós... Foi este o triste fim de Michael Jackson. A morte, aos 50 anos, retira-o de vez de cena...
Ontem também morreu Sarah Fawcett, com um cancro, aos 62 anos. Mas o anjo de Charlie não é tão famoso como Michael. Não voou tão alto. E por isso, os noticiários vão teclar até à exaustão a vida dele e as revistas trá-lo-ão à vida inúmeras vezes. Não vamos esquecer Michael Jackson. Ele soube ficar imortal pelos melhores e piores motivos.
Farewell My Summer Love...

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