Já reparei que os media andam em grande frenesim com o estudo estatístico da investigadora Ana Alexandra Carvalheira sobre a masturbação das mulheres portuguesas. Em primeiro lugar, as revistas acham que o sexo vende sempre. Mas será que é necessário tanto alarido perante o trabalho desta psicóloga? Sinceramente, só se for pelo ridículo de algumas conclusões do género “14,6 por cento usa uma almofada ou algo semelhante para pressionar os genitais”. Almofada?! “5,1 por cento senta-se em determinadas superfícies (bancos, sofás, corrimão de escadas, etc.”. Corrimão de escadas?! “0,7 por cento fá-lo a andar de bicicleta.” De bicicleta?! Como é que eu vou olhar mais as miúdas ao meu lado cada vez que estiver no Holmes Place a pedalar?
Ainda se apurou o tempo dispendido e o sentimento de culpabilidade, vergonha, por aí.
Sinceramente, acho que se está a passar de um extremo ao outro e tanta conversa sobre a vagina já enjoa. São “Os Monólogos da Vagina” peça de culto de tudo o que é lésbica e agora estes dados interessantíssimos para todas nós. As revistas masculinas não exploram a masturbação dos homens, antes os inspiram ao acto com as fotos cada vez mais ousadas que publicam. Parte-se do princípio que não vale a pena estudar algo que é tão óbvio como respirar: os homens sempre se masturbaram. Porém, as mulheres merecem logo um case study, tal como também têm o Dia da Mulher quando, a meu ver, o Dia do Homem é também o da Mulher porque de toda a humanidade.
Penso que a masturbação é algo demasiado íntimo para ser abordada desta forma e aposto que as pessoas escondem sempre o que realmente lhes dá pica quando e como o fazem. Mas também isso só deveria interessar-lhes a elas e aos parceiros delas.
Eu, por exemplo, cresci com as minhas próprias noções do que estava certo e errado. Na catequese nunca se falou nisso mas os meus colegas rapazes confessavam esse pecado e lá rezavam o que tinham a rezar e depois iam para casa tranquilos e voltavam a pecar e a confessar repetidamente. Um dia, enchi-me de coragem e perguntei à minha mãe: “Oh mãe, o pecado sensual contra a Natureza é deitar pacotes e garrafas para o meio do mato e poluir assim forte e feio?”. Ela riu-se tanto mas depois lá me acabou por explicar. Quando acabou eu já tinha desligado. Nunca mais fui à missa nem me confessei. Tinha doze anos e considerei que a hipocrisia não ia fazer parte da minha vida. Até hoje.
Eu sei que as pessoas não são todas iguais mas não conhecerem o próprio corpo, não se tocarem, estarem à espera que sejam os outros a descobri-las parece-me vazio demais. É como se uma pessoa viajasse até uma cidade estrangeira e, depois, em vez da aventura de descobri-la e conhecer-lhe os recantos ficasse à espera das indicações clichés dos guias…
Uma mulher inteligente conhece as curvas do seu corpo, orgulha-se da sua feminilidade e estimula o parceiro a partilhar a maravilha que é ser fêmea. Sei que há muitas reprimidas por aí mas não é pela educação, às vezes é pelo próprio marido. Por isso, o vibrador deve ser sempre o nosso melhor amigo. É pá, mas não publiquem isto lolololol!!!!!!!

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