segunda-feira, 29 de junho de 2009

Maternidade como metáfora da morte

No CCB, em Lisboa, dias 3 e 4 de Julho e, depois, no Teatro de S. João, no Porto, dias 7 e 8 de Julho, uma dança contemporânea do grupo de Platel dá expressividade à ideia de que a mãe é uma assassina. É-o na medida em que trazer uma criança ao mundo é também condená-la à morte: a criança vai morrer um dia...
Porém e, se nós tivéssemos sempre presente a noção da morte nas nossas vidas, nunca faríamos nada. Tudo seria vão e inútil. Comprar uma casa para quê? Um dia vou morrer. Vestir-me para quê? Fazer amigos ou amantes para quê? Gostar de alguém ou de algo para quê? Para o bem da nossa estabilidade mental temos de aceitar que a lei da vida é igual para todos e que quem nasce morrerá mais cedo ou mais tarde. Perdemos entes queridos e sofremos muitíssimo antes mesmo do nosso próprio calvário.
Talvez se as pessoas se convencessem da fragilidade da espécie humana fossem melhores para elas e para os outros que as rodeiam. Quando se morre nada se leva e o que se deixa é a eterna saudade...
Gostava de ser imortal para estar sempre ao lado da minha filha. Quando a asseguro de que não me vou embora e que estarei sempre ao lado dela lembro-me de dizer o mesmo ao meu pai quando ele estava a morrer vítima de um penoso cancro... O mais curioso é que apesar de não ter estado com ele no momento exacto em que o meu adorado pai partiu, sinto que entre nós há um laço tão forte que nem a morte o quebrou.
Sonho e penso muito nele e, em mim própria, trago-o à vida vezes sem conta. Talvez por isso se diga que o AMOR vence a morte.
Tudo é trágico na vida dos seres humanos e o melhor que nos resta fazer é aproveitar ao máximo este tempo que medeia entre o nascimento e a morte. Esforcemo-nos por ser felizes e conscientes. Hoje estamos vivos e amanhã estamos mortos mas não é por isso que vamos deixar de gozar a vida. É preciso coragem para viver todos os dias e bom senso para seguir o melhor caminho.
E não vamos crucificar a mãe só porque já crucificámos o filho. Já parece a estória do ovo e da galinha… A mãe também foi filha de alguém...

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