Hoje, porque a Constança faz TRÊS ANINHOS, segue-se um apanhado das últimas declarações de uma criança que é absolutamente única, querida e excepcional:
- Vou comer as flores do teu vestido – brinco com ela. – Esta azul, talvez a amarela e, sem dúvida, a cor de laranja.
- Não, mamã! Tu não podes! – responde, visivelmente perturbada.
- Não posso porquê? – questiono-a, com irónica doçura, estilo eu sou mãe e posso tudo.
- Porque a mamã do Tambor não deixa.
E só viu o “Bambi” uma vez e nem sequer foi até ao fim…
***
- Quero um rebuçado da tosse.
- OK. Toma lá – concordo, passando-lhe um Dr. Bayard.
- Quem mandou dar este à Constança? Já disse que quero o da menina.
Isto, porque no pacote se vêem quatro diferentes personagens a tossir, incluindo uma menina mas no papel dos rebuçados figura invariavelmente o terceiro da série a contar de cima. Vou escrever à marca a reclamar…
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- Onde é que estão as minhas bolas de cera? – pergunto danada, depois de as procurar em todas as gavetas da mesa-de-cabeceira, eu que as tinha deixado bem alinhadas no tampo.
- Não sei… Se calhar foi aquele monstro que eu vi entrar pela janela e as levou para casa dele.
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Às vezes, é difícil falar do meu pai à Constança. Acabo sempre por não reter as lágrimas e a voz atraiçoa-me. Vai ela:
- Anima-te mamã. Eu estou contigo.
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À noite, antes de adormecer:
- Tu és tão linda, mamã. Nunca vi uma mamã assim: nem mais nem menos.
E, desta forma, percebi que para a minha filha – haja alguém neste mundo cruel – eu sou perfeita!
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No banho, olhando para as mãozitas engelhadas após um período de grande divertimento no meio da bonecada e dos baldes:
- Oh! As minhas mãos! A minha voz! É agora que o feitiço vai começar!
- Estás a imitar quem, amor? – pergunto, divertida com a excelente representação.
- A rainha má da Branca de Neve.
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- Mamã, eu acredito em ti – diz repetidamente, por tudo e por nada e eu sinto-me grata.
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- Eu também quero!
- Queres o quê? – pergunto, enquanto espalho a base e pinto os olhos.
- Usar o teu lápis – pedincha, olhando para o batom, de longe o seu cosmético preferido.
- Só um bocadinho – aquiesço. – Vá, fecha a boquinha e agora vê-te ao espelho.
- Uau! O Gui vai ficar maluco quando me vir. Não achas, mamã?
O Guilherme é a sua primeira e devotada paixão…
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- Vês? É uma bonequinha de prata e mexe as pernas e os braços. É para o teu fio. Vai lá pôr nas tuas jóias, anda – incentivo-a, abrindo-lhe a caixinha.
- Posso ver as tuas? Posso?
- Vê lá – concordo, abrindo-lhe uma caixa de penduricalhos do Thomas Sabo.
Rapidamente, agarra num porco com sapatinhos e chapéu vermelho e corre a juntá-lo às dela e atira a caixa para o respectivo local de armazenagem.
- O que fizeste, minha atrevida? Tiraste o porquinho à mamã?
- Sim – risse, toda contente. – Agora está nas minhas e tu não podes tirar.
O saque já começou…
***
- Quero ver o filme do Príncipe Naveen e da princesa escurinha.
- Pela descrição, queres ver o filme A Princesa e o Sapo. E portas-te bem? Não choras?
- Eu porto-me bem, mamã.
E portou. Eu é que entornei um copázio de Coca-Cola…


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