quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Barriga morta

Hoje a minha barriga foi declarada oficialmente morta. Snif... Estava em pleno tratamento nas mãos do BL quando a miúda russa me pergunta: “Tens a certeza que não morreste?”. E eu: “Porquê?”. E ela: “És a primeira a suportar a carga 50 na electro-estimulação na barriga e nem sequer protestas. Só agora consigo ver algum trabalho do músculo.” Animador: primeiro dizem-me que tenho os músculos atrofiados e agora declaram-me a maior suportadora de carga eléctrica ao observarem o pobre abdómen a querer expressar-se através de uma intensa camada adiposa, calculo. Raios! Barriga atrofiada e morta dá que pensar…
E isto ainda me frustra mais dado que o peso na balança estagnou. Agora não engordo mais mas também não emagreço e ainda estou a uns bons seis quilos do meu peso. Estranhamente, o volume continua a diminuir e a minha cintura parece ter reaparecido. O mistério é por que fenómeno sobrenatural o peso não desaparece?
Cansada de massacrar todos com as minhas dietas e a angústia do peso decidi não falar mais sobre o assunto. Menos aqui, claro. Afinal, uma psicose partilha-se para não nos sentirmos tão abatidos e únicos. É óbvio que encontro mães recentes com muito mais peso do que eu e outras que nem parecem ter engravidado… A importância genética também ajuda e a minha família é assim para o cheiinho… Mas tenho um plano B em marcha e isso tranquiliza-me.
Morto também anda este meu mês de Agosto que tanto gosto. Gosto de Agosto. Agosto que gosto. Caramba! Soa bem. Na realidade, este vento que se faz sentir só massacra ainda mais. E a bebé anda meio constipada… Está rouca e isso preocupa-me. Febril. Mas come bem. É uma leoa a comer, como a descreve orgulhosamente o meu sogro. Para o mês que vem vamos ter com ele e passar uns dias de férias no Norte. Vai ser a primeira grande viagem da bebé. Eu também nunca estive por aquelas paragens mas ele já lá está, radiante com a perspectiva de nos ver chegar e de… lareira acesa devido ao frio nocturno! Em Agosto. Que desgosto…
Agora que penso nisso nem quero imaginar o que será fazer as malas da bebé… Ela precisa de tanta coisa! Produtos, roupas, acessórios, brinquedos, etc. Vamos ter de alugar uma camioneta! Mas eu adoro tratar dela: dar-lhe banho, massajar o creme, fazer-lhe o almoço que come cada vez melhor, vesti-la e embelezá-la. E quando alguém a elogia sinto-me mesmo envaidecida. Um dia destes, o pai da bebé comentou: “Nunca deves ter brincado tanto com os bonecos tipo Nenuco como brincas com ela.”
O que é verdade, até porque desde sempre preferi a Tucha, Sindy, Nancy, a Daisy da Mary Quant, entre outras, que se assemelhassem a pequenas mulheres. E, mais tarde, aderi à Barbie, claro, a minha favorita. Os bebés não eram o meu forte. Daí, também, a minha falta de prática no vestir e despir. Se ela tivesse os 29 cm de altura mudava-a à velocidade com que descasco camarões. Muito inveja o meu pai esta minha habilidade natural mas para o compensar também lhe descasco uns e ele lá se satisfaz. Se existisse um concurso televisivo talvez ganhasse umas coroas com esta minha velocidade manual no que toca à mariscada. Dons…
Esta da barriga matou-me o dia. E agora vou deitar-me porque estou a morrer de sono. Vou dormir com a minha barriga morta e pensar numa forma de a matar de vez.

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