sábado, 14 de julho de 2007

Alergias, cólicas e birras


“Que linda bebé!”, elogiam as senhoras idosas quando me vêem passeá-la na rua dentro do canguru. Aproximam-se e, depois dos elogios, segue-se o espanto: “Mas não faz mal levá-la assim?”. Explico-lhes que não, que o canguru é mesmo feito para transportar bebés: primeiro, virados para nós e, depois dos cinco meses, de costas para a mãe. Elas admiram-se, tal como a maioria das pessoas, ainda não habituadas a um transporte que já se pratica há séculos na Ásia, América Latina e África. Se repararem, quase todos os pais estrangeiros – homens também – passeiam os seus rebentos alegremente em panos cangurus que nem fechos têm. E foi um homem – o meu sogro – quem me ofereceu este e, quando passeia a neta, também a leva assim. E o meu sogro é um homem do norte, carago! Claro, que a bebé apanha estes elogios todos e devolve sorrisos, derretendo corações. “É um amor!”, dizem. “Como é sossegadinha.” Pois… Se a vissem à noite, antes de adormecer, assistiriam a uma verdadeira metamorfose. A bebé vira um alarme e não há nada que a acalme.
Primeiro, teve o azar comum a muitos bebés de fazer um eczema, o qual se manifestou por manchas vermelhas que escamaram, ao ponto da roupa branca interior ficar cinzenta… Foi um horror. Mudei-lhe de creme cem vezes e… de pediatra. Por fim, um deles acertou na cura. É ele hoje o médico dela e, curiosamente, também foi o pediatra do pai da bebé. Consta que começou a exercer muito novo, pois velho é que ele não é. Acho-o o máximo! Exprime-se muito bem, tem um magnífico sentido de humor, super gentil e profissional. Depois de um péssimo obstetra ganhámos um excelente pediatra. Menos mal.
A dermatite atópica irritava profundamente a bebé que chorava incomodada. Para combatê-la, o médico disse-me que evitasse o contacto directo da lã na pele e a vestisse apenas com roupas que fossem 100 por cento de algodão. O banho passou a ser de dois em dois dias, a gama de cremes de novo alterada – investi no Leti AT4 – e a bebé fez antibiótico, Floxapen. Também levou corticóides: Advantan cortado a meias com um creme hidratante, no caso, Decubal. O leite – o grande suspeito – foi substituído por Aptamil Pepti, indicado para lactentes com alergia às proteínas do leite de vaca. Obtivémos um resultado milagroso: de um dia para o outro a recuperação tornou-se óbvia. A bebé voltou a ter a pele macia, lisinha e sem marcas, um dos seus muitos encantos. Infelizmente, o Pepti não se vende em todas as farmácias e, depois de maratonas improdutivas calcorreando meia urbe, passei a encomendá-lo.
Debelada a alergia, também o mesmo médico acertou na questão das cólicas. Até aos três meses dava-lhe Infacol, um medicamento que o pai da bebé descobriu ser usado com sucesso pelos colegas da sua empresa junto dos bebés deles. Um mandava vir uns tantos de Inglaterra e dividiam os frascos. Mas, o que ela toma agora é bem melhor: Biogaia. E eu pensei: “Genial! Foram-se as cólicas, o ardor da alergia e agora, vamos ter sossego cá em casa!”. Mas para meu horror, a baba e o chorinho que depressa fica buzina derivam… dos dentes! Fiquei em estado de choque: “Mas doutor… a bebé só fez quatro meses. Não é nova demais para os dentes já estarem a querer nascer?”. Com um sorriso sem contemplações lá me passou um bálsamo primeiros dentes, um pó de matricária em saquetas e ben-u-ron supositórios para lactentes de três meses a um ano…
Os dentes, não os vejo e não os sinto, no entanto, que a bebé berra que se mata, ah isso berra! Torna-se insuportável. O pai dela não ouve do ouvido esquerdo e, uma noite destas, enquanto a embalava, escutei-o protestar, exasperado: “Isso, berra à vontade! O pai já não tem um ouvido e agora queres-lhe acabar com o outro!”. Repreendi-o pela dureza do comentário e falta de paciência… mas sempre é melhor desabafar, do que me plantar a bebé à frente do plasma – literalmente frente – sincronizando o BabyTV…
Com as birras da bebé e as iniciativas de relaxamento do pai dela… prevejo dias ainda mais dificéis.

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