Tudo na bebé é uma evolução extraordinária de ver. Mesmo o simples banho. No princípio, a banheira parecia enorme e ela, com as suas pernas e braços minúsculos e barriga maior, um pequeno sapinho num charco. Agora é o contrário: já parece pequena demais para a bebé. Sentada na sua cadeira de banho ajustável, em cujas bordas já agarra as mãos, a bebé diverte-se a chapinhar com as perninhas e braços, olhando os inumeráveis brinquedos aquáticos com alguma atenção. Ainda não os agarra, é certo, mas também não os ignora. Sapos, patos, coelhos e macacos flutuam sobre as ondas das suas sacudidelas. Não chora quando entra ou sai – raríssimas vezes o fez – e adora ver-se ao espelho, tanto ou mais que o pai dela…
Também as suas refeições têm evoluído com muita graça. Passar do leite para a sopa foi uma prova difícil para a bebé que é super comilona por excelência. Bebia vários biberões e, enquanto não os tivesse, não dava tréguas a ninguém… Assim, o meu irmão do meio que é médico – cirurgião ortopédico – e adora bebés resolveu apiedar-se do meu esforço culinário e ofereceu-me um livro fantástico “1,2,3 Uma Colher de Cada Vez – um guia para crianças dos 4 meses aos 3 anos”. Em bom tempo me salvou porque perante estas mais de 150 receitas todas certinhas e apetitosas nasceu-me uma nova alma.
Não é que eu fizesse mal a sopa. Segui as instruções do mega pediatra da bebé e tal mas… quem nunca fez sopas para bebés passa sempre por mil incertezas e eu até adoro cozinhar. Não me estou a tentar desculpar mas fiz algumas asneiras. Por exemplo, a base era sempre batata e cenoura mas eu exagerava na água e ficava líquida demais. Depois, aprendi – com o tal livro – que a água deve apenas cobrir os vegetais. Deste modo, quando triturava os legumes cozidos já obtinha uma consistência mais de papa. Até aqui, tudo bem. Experimentei cebola e azeite e a bebé mandou-me pastar e, não comeu. No livro, também não referem uma coisa nem outra e eu, pura e simplesmente, cortei com ambas.
A primeira sopa que ela apreciou mesmo em termos de sabor foi uma de cenoura à qual juntei a polpa de uma batata-doce que assara no forno. A bebé amou. Depois fiz-lhe purés de abóbora, cenoura, maçã e pêra. Isto, aos quatro meses, que foi quando ela começou a dar o salto alimentar. E como não consegui que ela comesse com a colher de silicone resolvi dar-lhe a sopa no biberão. Na consulta dos cinco meses, o médico dela censurar-me-ia: “Não pode ser. É muito perigoso. Se ela se engasgar vão a batata e a cenoura directas para o pulmão.” Bolas! Aquilo assustou-me e lancei-me em novas tentativas à colherada e já com novas receitas.
Ora bem, acontece que aos cinco meses, o doutor introduziu carne de frango ou peru nos primeiros quinze dias e, depois, carninha de vaca louca. Tudo triturado num 1,2,3 – estes números perseguem-me… – de modo a ficar uma porção do tamanho de uma almôndega. A carne antes é temperada com alho e ervas – nada de sal – e frita ou grelhada num pouco de azeite. Só na altura da refeição a devo juntar à sopa. E a seguir dou a fruta. “Parece fácil”, pensei e corri para um talho onde pedi que me cortassem bifes de 90 gramas, ou seja três porções de carne em cada bife que deveria usar no cocktail almoço e também ao jantar, embora pudesse optar por leite na mesma. Para não ser muito duro para a bebé resolvi só desmamá-la ao almoço. Afinal, duro mesmo, só se for para mim. É um verdadeiro massacre texano…
A rejeição inicial e as birras manhosas combati à bruta: “Se não comes a sopa, não comes mais nada” e, depois de alguma persistência, ela lá vai comendo e sujando à grande e à francesa. A cara quase que desaparece por entre a pasta laranja que se espalha e escorre também pelo babette e mãos que tentam agarrar a colher. Não a consigo segurar ao colo e é muito cedo para a instalar numa cadeira, daí que a coloque na espreguiçadeira, protegida por uma fralda, e me sente de pernas cruzadas à frente dela: “Vamos, bebé, abre lá a boquinha. Sê gentil para a mamã e tal”, rogo-lhe desesperada. Mas aqueles bracinhos frenéticos movimentam-se quando menos espero e zás! Sopa para o olho, chão, sofá, cortinado, salpica-me também, claro, não há nada a fazer. “Tenha paciência”, diz a minha sogra que adora alimentar a prole dela e tem o vício simpático de nos estar sempre a oferecer bolos e iogurtes. Mas também ela, uma enfardadora clássica, teme o momento sacro da sopa e já me pede para lhe deixar a bebé depois de almoço.
Enquanto invento novas técnicas – estilo, na mesma colher, dou-lhe um pouco de fruta e sopa – interrogo-me quanto tempo demorará ela a saber comer sem este festim de sujidade à nossa volta e já sinto saudades do processo limpo do biberão…
A primeira sopa que ela apreciou mesmo em termos de sabor foi uma de cenoura à qual juntei a polpa de uma batata-doce que assara no forno. A bebé amou. Depois fiz-lhe purés de abóbora, cenoura, maçã e pêra. Isto, aos quatro meses, que foi quando ela começou a dar o salto alimentar. E como não consegui que ela comesse com a colher de silicone resolvi dar-lhe a sopa no biberão. Na consulta dos cinco meses, o médico dela censurar-me-ia: “Não pode ser. É muito perigoso. Se ela se engasgar vão a batata e a cenoura directas para o pulmão.” Bolas! Aquilo assustou-me e lancei-me em novas tentativas à colherada e já com novas receitas.
Ora bem, acontece que aos cinco meses, o doutor introduziu carne de frango ou peru nos primeiros quinze dias e, depois, carninha de vaca louca. Tudo triturado num 1,2,3 – estes números perseguem-me… – de modo a ficar uma porção do tamanho de uma almôndega. A carne antes é temperada com alho e ervas – nada de sal – e frita ou grelhada num pouco de azeite. Só na altura da refeição a devo juntar à sopa. E a seguir dou a fruta. “Parece fácil”, pensei e corri para um talho onde pedi que me cortassem bifes de 90 gramas, ou seja três porções de carne em cada bife que deveria usar no cocktail almoço e também ao jantar, embora pudesse optar por leite na mesma. Para não ser muito duro para a bebé resolvi só desmamá-la ao almoço. Afinal, duro mesmo, só se for para mim. É um verdadeiro massacre texano…
A rejeição inicial e as birras manhosas combati à bruta: “Se não comes a sopa, não comes mais nada” e, depois de alguma persistência, ela lá vai comendo e sujando à grande e à francesa. A cara quase que desaparece por entre a pasta laranja que se espalha e escorre também pelo babette e mãos que tentam agarrar a colher. Não a consigo segurar ao colo e é muito cedo para a instalar numa cadeira, daí que a coloque na espreguiçadeira, protegida por uma fralda, e me sente de pernas cruzadas à frente dela: “Vamos, bebé, abre lá a boquinha. Sê gentil para a mamã e tal”, rogo-lhe desesperada. Mas aqueles bracinhos frenéticos movimentam-se quando menos espero e zás! Sopa para o olho, chão, sofá, cortinado, salpica-me também, claro, não há nada a fazer. “Tenha paciência”, diz a minha sogra que adora alimentar a prole dela e tem o vício simpático de nos estar sempre a oferecer bolos e iogurtes. Mas também ela, uma enfardadora clássica, teme o momento sacro da sopa e já me pede para lhe deixar a bebé depois de almoço.
Enquanto invento novas técnicas – estilo, na mesma colher, dou-lhe um pouco de fruta e sopa – interrogo-me quanto tempo demorará ela a saber comer sem este festim de sujidade à nossa volta e já sinto saudades do processo limpo do biberão…

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