quinta-feira, 26 de julho de 2007

Romance no Parque


Levar a bebé às vacinas é algo que tem sido relativamente rápido e engraçado. Parece que às quartas-feiras é o melhor dia para esta pequena tortura. Claro que no momento em que é picada, a bebé chora e grita desalmadamente, enquanto lhe seguro as pernocas e as enfermeiras cumprem o boletim. Porém, antes do suplício, a bebé adora ver outros bebés que constituem novidade para ela. Sim, porque há aqueles que vão para as amas ou têm primos próximos, irmãos, sei lá. A minha é um caso isolado. Vive com dois adultos e, até agora – apesar de já ter travado conhecimento – tem escapado ao Gaspar, o nosso gato, temporariamente – há séculos… – a viver com os meus sogros.
Desta vez, enquanto aguardávamos que nos chamassem, uma senhora brasileira mais a bebé dela sentaram-se perto de nós. Entre as duas fizeram logo uma grande festa de guinchos, olhares curiosos trocados e babas simultâneas. Ambas com cinco meses pareciam maravilhadas uma com a outra. A Gabriela – assim se chamava a outra bebé – tinha o cabelo num repuxo e era maior. Também a mãe dela me superava em excesso de peso. Confesso que até fiquei com pena dela. Passo a vida a lamentar-me mas há mães que devem sofrer muito mais do que eu quando se vêem ao espelho. Quando me levantei para entrar com a bebé ela lançou-me aquele olhar triste que eu lanço às magrinhas… Como eu a percebo.
Nesse campo, tenho razões para estar mais feliz. Medida e pesada pelo Bloco de Leste obteve-se um resultado satisfatório: menos 27 centímetros – distribuídos por várias partes do corpo – e cerca de 3,5 quilos. Acho que podia ter perdido mais peso mas elas dizem que é melhor emagrecer gradualmente. Mesmo assim, num mês, é uma miséria… Já os centímetros, fizeram-me sentir bem. Sinto que, de facto, estou menos volumosa e determinadíssima a perder mais peso no próximo mês.
Hoje, inspirada pelas boas notícias, resolvi dar uma longa passeata com a bebé. Enfio-a no canguru e, lá vamos nós, a pé pelas ruas mais calminhas. Sempre que um carro passa, a bebé assusta-se e encolhe-se um bocado. Daí, que evite as mais movimentadas. Tranquilas, passeamos junto a moradias lindíssimas, nas quais os jardineiros aparam a relva ou os cães dormem ou fingem dormir. Muitos portões abertos, outros fechados, dão para espreitar para o interior e nos encantarmos com a magnificência da casa ou nos entristecermos com o abandono e ruína de outras.
Não demoramos muito tempo a chegar ao Parque Marechal Carmona. Apesar de mínima, a bebé já adora ver patos e outras crianças brincarem. Sempre que alguém passa por ela e lhe faz elogios, toda ela se derrete em sorrisinhos… Depois de algum tempo junto ao lago, prosseguimos e sento-me num banco à sombra com vista para um relvado onde alguns miúdos jogam à bola. Aqui, suspiro de alívio, enquanto a tiro do canguru e a cubro de beijocas. Não pelo peso porque ela ainda não tem sete quilos mas por ela ser uma menina e as meninas não jogarem à bola.
Estava eu nestas delícias de a beijar, levantar, sentar nos joelhos, pernas e, essas acrobacias todas, quando se aproxima um menino giríssimo, cabelo loiro palha e um par de olhos azuis de fazer parar o trânsito. Dois anos, calculei, se tanto. Parou encantado a olhar para a bebé que lhe sorriu de imediato. A mãe dele, uma inglesa muito simpática apareceu logo atrás: “She’s so cute, isn’t she?”, diz-lhe, enquanto ele se aproxima cada vez mais, verdadeiramente seduzido. Lá partem com um bye-bye e um adeuz.
Quando decidimos sair do parque – a fome do biberão das cinco e meia – voltámos a passar pela dupla britânica. Mas o miúdo já só me viu de costas e eu ouvi a mãe dele dizer: “Look, the pretty baby is going too.” E ele: “Where?” E a mãe: “She’s behind her mother.” Então, ele tenta alcançar-me para a ver uma last time. E, como sou uma romântica tonta, paro o passo e viro-a para ele. Mais uns olhares e uns sorrisos e deixámos o David completamente knokcout. Ai, esta bebé… Vai destroçar corações…

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