quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

HAPPY NEW YEAR



Mais um ano a começar... O início é sempre excitante. No princípio tudo parece brilhante e promissor. As expectativas e desejos estão em alta. Todos nós suspiramos por um ano melhor do que aquele que agora termina. Cada ser humano do planeta tem ânsias concretas mas nem todos lutam por as tornar realidade. Muitos desistem porque a vida é complicada. Os sonhadores reinventam sempre à espera de mais e mais. Num ano muita coisa muda e acontece. Os sentimentos, as intenções, as criaturas que nascem e morrem, os projectos profissionais que abraçamos ou perdemos, o que nos impele a viver e a amar cada bocado de estarmos a bordo da VIDA. As músicas que nos fazem dançar e pular, os filhos que vemos crescer a olhos vistos, mudando a cada segundo... As graças que acumulamos, o arrependimento que aprendemos, as lutas que travamos. Viver não é fácil mas celebramos cada ano de vida como se fosse uma festa, a mais universal de todas, independentemente das crenças de cada um.
É mais um ano para todos nós que habitamos a Terra e novas oportunidades irão surgir no meio das trevas. Talvez mais países assinem acordos de paz. Talvez menos pessoas morram às mãos de psicopatas. Talvez mais crianças consigam lares de acolhimento. Talvez mais idosos não apaguem as memórias. Talvez novos vírus se esqueçam de aparecer. Talvez a crise nos dê um merecido descanso. Talvez ... Tenhamos fé. Que 2010 seja um Ano Esplenderoso para a HUMANIDADE e ilumine o coração dos homens. Gostava muito que um pequeno milagre nos acontecesse a todos, um daqueles tão inacreditáveis que nos mudasse por completo. Como se também nós pudessemos ser pessoas tão novas  a estrear paralelas ao ano. Cheias de encanto porque inocentes e crédulas. Sermos a criança para a qual a magia se tece todos os dias. Amor, paz e concórdia. Pode parecer piroso ou velho cliché mas é isso mesmo que eu mais desejo. A bondade e a generosidade não foram inventadas. Elas existem na realidade mas só nós as podemos sentir e fazer manifestar. Uns com os outros.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A eternidade de Romeu & Julieta




Fui ver New Moon da célebre saga Twilight... Sei que não tem tido boas críticas e até percebo porquê. Mas como vampire expert não posso deixar de gostar. Para já, não me revolta o facto de as personagens principais serem vampiros adolescentes, e isso tem sido um entrave para muitos potenciais apreciadores do género. Depois, o êxito junto do público feminino não se prende só com o charme inegável e poderosíssimo de Edward Cullen (Robert Patisson), o vampiro bonitão da fita. É que para além de ser lindo de morrer, o jovem pálido tem alma e, aqui, assemelha-se ao Louis de Anne Rice: um monstro preso a um moralismo dilacerante, dividido pela eterna luta entre o bem e o mal que lhe condiciona todas as escolhas possíveis. E ainda é absolutamente romântico e solta aquelas tiradas que derretem qualquer mulher, independentemente da idade, sendo a idade um problema agonizante para a sua parceira Bella (Kristen Stewart).
Lua Nova é - como o Crepúsculo - um filme de amor num cenário vampírico. É óbvio que não há cenas de sexo - uma vez que os vampiros, de uma forma tradicional e se exceptuarmos os de Sangue Fresco - não têm essa necessidade de prazer físico, sendo o equivalente ao orgasmo atingido quando bebem o sangue das suas vítimas. No entanto e mesmo sem o sexo que tantos filmes faz vender, Lua Nova é pleno de desejo e de um erotismo velado. Esse desejo existe na forma de um triângulo, uma vez que o jovem índio que também é lobo gigante vive igualmente apaixonado por Bella.
Mas tal como a famosa peça de teatro que os estudantes seguem no início do filme, também nesta película em particular assistimos a um Romeu & Julieta versão vampírica. Tudo se repete, embora com desenlaces diferentes e originais.
Dito isto, é de salientar que todos os filmes de vampiros que se transformam em hinos de amor têm sucesso garantido. Recordo uma frase em particular do Drácula de Coppola, em que ele explica à amada: "Atravessei oceanos de tempo só para te encontrar." Sublime, se tivermos em consideração a dificuldade que é atravessar um oceano e imaginarmos o tempo impossível de espera até aparecer a pessoa certa.
Por fim, um vampiro belo e imortal que quer selar uma promessa de amor eterno através do casamento é o cúmulo do romantismo e merece a maior ovação. Gosto muito de vampiros leais ao longo de séculos. Se há algo em Lua Nova que atrai a juventude talvez seja a beleza de sentimentos e de votos, aliada sem dúvida ao encanto das próprias personagens. Um voto positivo à resistência de Isabella que mesmo carente e magoada soube resistir ao assédio do lobo. É assim com as mulheres que sabem bem o homem que querem!!!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Thank you minister James Pierpoint




Dashing through the snow


In a one horse open sleigh

O'er the fields we go

Laughing all the way

Bells on bob tails ring

Making spirits bright

What fun it is to laugh and sing

A sleighing song tonight



Oh, jingle bells, jingle bells

Jingle all the way

Oh, what fun it is to ride

In a one horse open sleigh

Jingle bells, jingle bells

Jingle all the way

Oh, what fun it is to ride

In a one horse open sleigh



A day or two ago

I thought I'd take a ride

And soon Miss Fanny Bright

Was seated by my side

The horse was lean and lank

Misfortune seemed his lot

We got into a drifted bank

And then we got upsot



Oh, jingle bells, jingle bells

Jingle all the way

Oh, what fun it is to ride

In a one horse open sleigh

Jingle bells, jingle bells

Jingle all the way

Oh, what fun it is to ride

In a one horse open sleigh yeah



Jingle bells, jingle bells

Jingle all the way

Oh, what fun it is to ride

In a one horse open sleigh

Jingle bells, jingle bells

Jingle all the way

Oh, what fun it is to ride

In a one horse open sleigh

Cien sonetos de AMOR



Seria de supor uma relação perfeita mas... são muito temperamentais.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cartas ao Pai Natal


Em 1973, as crianças portuguesas - ou os pais dessas crianças - escreviam cartas natalícias bem diferentes das de hoje... Em homenagem a esse ano em particular e às missivas seleccionadas num concurso da Crónica Feminina, no qual participaram 20 mil crianças, eis um apanhado de excertos dessas cartas ao Pai Natal. São lindas, enternecedoras, inocentes e tão pouco materialistas... Não esquecendo que o nosso País ainda estava em guerra, lá, no Ultramar...

"Eu este ano desejava que tu me deitasses nos meus sapatos aquele brinquedo que eu ando farta de te pedir, aquela linda boneca de cabelos compridos, olhos azuis e faces rosadas! Oh Pai Natal, se me desses essa boneca eu quando estivesse contigo dava-te mil beijos de felicidade, mas fico tão triste só de pensar que esse brinquedo nunca vai chegar às minhas mãos."

"Por isso te peço esta noite, Bom Pai Natal, que leves ao doce Jesus a minha mensagem. Diz-lhe que cinco crianças lhe pedem que salve a sua mãezinha e a deixe voltar à alegria da nossa casa agora fechada. E diz-lhe também que, mesmo sem presentes, sem árvore, sem velas e sem fogo na lareira, este Natal que se aproxima não será para nós nem frio nem triste, se tivermos a nossa Mãe".

"Nestes dias perto do Natal em que as lojas estão cheias de brinquedos e quase todas as pessoas estão contentes e todos os meninos desejam chegar ao dia de Natal para receberem os seus presentes eu estou muito triste e queria pedir-te um presente muito lindo. Não quero bonecas nem outros brinquedos. Queria que no Natal me trouxesses de presente o meu papá que há tanto tempo que não o vejo e sei que se ele voltasse me trazia muitos brinquedos. Tu já vês, Pai Natal, o que é eu passar este dia sem o meu papá?"



"Já não te via há um ano! Como deves saber o ano passado fiquei radiante com os meus presentes! Sabes ao chegar o Natal fico muito contente por o ver chegar e bater à minha porta. Mas sinto tristeza ao mesmo tempo, pois penso naqueles que passam o Natal nos hospitais, nas prisões sem que tenham a menor festa, naqueles que neste dia nascem e vêm ao mundo para passarem talvez um Natal horrível, naqueles que passam o Natal com fome e que o passam na guerra e naqueles também que neste dia deixam o mundo para sempre."

"Pai Natal, porque é que eu este Natal não ganho nada? A mamã disse-me isso e desatou a chorar. O papá está doente. Eu gostava tanto dos chocolates que me puseste o ano passado. É verdade que tu não pões nada no meu sapatinho este ano? Põe, eu ainda sou pequena e ajudo a minha mamã sempre. Se vieres eu dou um grande beijinho à senhora professora pois foi ela que me disse para te escrever. Não te esqueças de mim. Um grande beijinho."

"Gostava que este Natal fosse diferente dos outros. Gostava que fosse um Natal de Paz e Alegria, que os homens acabassem com as guerras, porque elas não adiantam nada e só provocam mortes. Se puderes dá-me um estojo de química, daqueles que têm tubos de ensaio, provetas e todas aquelas coisas da química porque é a disciplina de que gosto mais. Beijinhos para ti e até para o ano."

"Olha, sabes uma coisa? Este ano gostava que me trouxesses uma bicicleta porque me portei bem durante o ano. Como vês, sou pouco exigente."

"Espero que não estejas constipado quando distribuires os presentes à meia-noite do dia 24 de Dezembro. Não te exponhas demasiado ao frio nem à chuva, tem cuidado... Já és velhinho."




"Sabes, Pai Natal, não peço nada para mim, peço apenas para a minha vovó, para que ela não chore e sofra tanto, como tem sucedido desde que o vôvô morreu. Desejo voltar a vê-la rir, a brincar comigo e a passear."

"Como me tenho portado bem na escola e em casa não tenho feito maldades, julgo que vou merecer as coisas que te vou pedir neste Natal. Em primeiro lugar, gostava que me desses uma boneca daquelas muito bonitas, que falam e tudo, e, depois, gostava de ter um livro de histórias com gravuras bonitas, daquelas que falam de animais, sabes, eu gosto muito dos animais e se me desses um cãozinho também ficava muito contente."

"É com grande alegria que te escrevo por saber que o Natal se aproxima. Em segundo lugar queria que estivesses de boa saúde, óptima disposição e que gozasses ainda muitos anos de vida junto ao Menino Jesus."

"Não te esqueças da minha chaminé, olha que ela está um bocadinho escondida por causa do prédio grande que fizeram ao lado."

"Eu sou o Rui Nuno. É a primeira carta que te escrevo, para te pedir uma coisa que penso que tu não me vais poder dar. Eu gostava tanto, tanto que vê se me dás um jeito - mesmo que tu não possas trazê-lo pela chaminé - de ter um cão Pastor Alemão vê se falas com o meu pai e o convences a me dar um cão desses. Com a minha mãe não vale a pena falares porque ela diz logo que não quer um cão."

"Um dos meus maiores desejos é que acabe a guerra porque não quero que os meus paizinhos e manos sofram com isso."

"Gosto também da sua barba que é muito grande e engraçada por lhe chegar à barriga, pois por ser também pequeno parece um anão."

"Eu venho pedir-lhe este Natal se me dava este ano uma pistola pois eu estou na Casa Pia e a minha mãe não me pode dar."

"Digo-te Pai Natal, seria bom, muito bom mesmo, que este Natal se passasse sem guerras ou ódios, que todos se reconciliassem para festejar o nascimento do meu querido Jesus. E para mim peço-te coragem. Coragem, sim! Porque com a coragem, mesmo que não tenha saúde, tenho ânimo para tudo!!!".






segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Duquesa II





- Continue a pintar touros, Francisco. Encha-me a sala com telas vivas de sangue e paixão. Faça-os grandes porque adoro a bravura deles e a persistência, mesmo feridos de morte. Que dignos que são estes seus animais que você insiste em pintar e pintar na arena da vida que tanto o apaixona.

- Caetana… Mas eu quero pintá-la é a si. Um retrato memorável que faça justiça à sua beleza. Vestida de branco com o cabelo solto. E um laço vermelho.

- A minha boneca é negra e pequenina. Já lhe disse: pinte-me touros.

- Mas Caetana, minha feiticeira andaluza, deixa-me pintar-te vestida… desta vez.

- Como me seduzem os animais de grande porte. São imensos perante a mesquinhez dos mosquitos que teimam em zumbir à minha volta. Deve ser do clima. Achas que o meu marido trouxe o mosquiteiro? É tão incompetente… Podia bem ter alertado o criado para algo tão essencial mas só pensa naquelas sinfonias medonhas… Como se a vida fosse feita de música deprimente e alucinada. Ah, meu Francisco. Tu não me ouves mas entendes: lê os meus lábios, amor: PINTA-ME TOUROS DE GRANDES CORNOS.

E a duquesa de Alba precipitou-se para os braços do amante num prazer tão eufórico como incontido.

A Duquesa I







- É sempre assim?

- É como dizem: todos a adoram à excepção do duque.

- E ela é traída na própria casa? Custa-me a acreditar… Uma mulher tão bela e inteligente.

- Tudo isso lhe passa ao lado. (risos). A duquesa vive apaixonada pela filha.

- Mas será suficiente?

- Bom, meu caro, tire a duquesa da sua cabeça. Ela não está disponível para o amor.

- Nem mesmo como… vingança?

- Que ideia! Ela é superior a tudo isso. Se um dia se apaixonar, porém, quem sabe… Mas para tal acontecer teria de estar liberta para o fazer.

- Quer dizer que ela respeita a instituição mesmo depois de ter partilhado a casa com as amantes do marido? Não sofre com tais humilhações?

- É evidente que sim. E terá protestado. Com veemência, segundo sei.

- E então? Resolve-se a ficar?

- Já lhe disse: vive apaixonada pela filha. Londres inteira sabe isso.

- Mas ela é tão jovem para ser prisioneira na sua própria casa.

- A liberdade, caro amigo, só é saboreada pelas crianças nas suas inocentes corridas e brincadeiras. Nenhum adulto é inteiramente livre.

- O que lhe resta então?

- Não compreendeu? A duquesa fez uma escolha. Optou por viver uma vida ao lado da sua pequena cria e sente-se realizada.

- Não aceito essa resposta. É um absurdo! (indigna-se, subindo o tom de voz.) Uma mulher assim vive por reflexo. Projecta na criança toda a sua alma mas há um espaço vazio e, embora a entrada se encontre vedada, esse espaço existe, está nela, e é absolutamente convidativo. Irei seduzi-la.

- Caríssimo, joga com as palavras… E é exímio nisso. Porém, aviso-o de que perderá o seu tempo. O desprezo e o desdém têm o rosto de todos nós, homens. A mágoa nas mulheres é algo de misterioso e trágico. Você é bem parecido. Conheço a sua cotação no mercado (risos). Mas para a seduzir essa é a última arma a usar.

- A avaliar pelo marido sou forçado a dar-lhe razão. Mas não sou apenas isso. Saberei falar-lhe ao coração e cicatrizar todas essas feridas. Faço-lhe um filho. Uma mãe dedicada encontra a força do amor nos laços que cria.

- Lá está você a criar ciladas palavrosas. Não se esqueça de que estamos a falar de um ser verdadeiramente arguto. Topará à légua as suas intenções. Poderá até conseguir alguns sorrisos e olhares encorajadores. Mas, no momento decisivo, ela voltar-lhe-á as costas.

- Veremos. Não pretendo fazer desta minha intenção qualquer espécie de aposta. Mas sei, por experiência própria, que os males de amor curam-se com outro amor.

- Se ela o procurasse. Enfim, parece que falo chinês…

- Às vezes, encontramos algo não por que o procuremos mas porque esbarramos com.

- Você tem o ímpeto da juventude e a arrogância da beleza aliada a uma inteligência literata. Está convencido de que é fórmula infalível. Contudo, os deuses divertem-se a instalar o caos entre os mortais. Não existe desejo nesta mulher. Os olhos dela não brilham e a beleza ou a elegância dos trajes que desenha para si própria são meros jogos de entretenimento próprios de aristocratas entediados.

- Parece conhecê-la muito bem…

- Oh, sim! Claro que sim! Também fui um rato tonto, hipnotizado por um ronronar irresistível. E trucidado de forma implacável. Nunca me hei-de esquecer das palavras da duquesa: “Se eu quisesse um amante nunca me teria casado.”

- Esse casamento deve ter sido o maior desastre da vida dela. Mais força me dá, meu amigo. Nobre ou plebeia, nenhuma mulher deixou a minha cama descontente. Aliás, para a deixarem é sempre um castigo… O paraíso aninha-se nos meus braços, a ternura mora nos beijos que semeio por colunas delicadas, enquanto as minhas mãos possuem o toque do próprio êxtase. Quando dispo uma mulher mais de metade do serviço fica feito.

- Isso é para lhe poupar exercício físico? (ironizou com alguma inveja).

- De todo. Apenas sei incendiar. E a duquesa voltará a resplandecer. Dê-me tempo e verá.

- Desejo-lhe sorte.

- Não sou jogador. Sou confiante. E acredito na vulnerabilidade humana. A duquesa não é feita de aço. É tão-somente uma mulher desiludida.

E os dois homens afastaram-se, cada um seguindo o seu caminho. Um deles pensava no tremendo balde de água fria que o outro levaria ao intentar qualquer investida sentimental. O outro urdia esquemas mentais, revendo as melhores palavras para em cenário apropriado arrancar um desejado encontro secreto. Da sala contígua aquela onde se mantivera o diálogo entre ambos, um roçar de seda anunciava os passos de uma dama. Subiu uma escadaria em mármore e deixou-se cair no chão, junto à filha que brincava. A criança abraçou-a feliz e confidenciou: “Adoro-a tanto, mamã. Porque está sempre comigo e defende-me do dragão meu.”

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Human


I did my best to notice


When the call came down the line

Up to the platform of surrender

I was brought but I was kind



And sometimes I get nervous

When I see an open door

Close your eyes, clear your heart

Cut the cord



Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer

Are we human or are we dancer?



Pay my respects to grace and virtue

Send my condolences to good

Give my regards to soul and romance

They always did the best they could



And so long to devotion

You taught me everything I know

Wave goodbye, wish me well


You've gotta let me go



Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer

Are we human or are we dancer?



Will your system be alright


When you dream of home tonight?


There is no message we're receiving


Let me know, is your heart still beating?



Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer



You've gotta let me know

Are we human or are we dancer?

My sign is vital, my hands are cold

And I'm on my knees looking for the answer

Are we human or are we dancer?



Are we human or are we dancer?

Are we human or are we dancer?

sábado, 14 de novembro de 2009

O RAP que inventei no meu degredo e que cedo a um cantor desde que seja negro

O que mais te custa é o quebrar da ilusão


Afundaste porque acreditaste na paixão

E agora custa-te usar a razão

Porque sabes o que ainda te vai no coração

Fecha numa gaveta a tua eterna emoção

Guarda o que viveste como uma recordação

Tens uma filha para lhe dar a mão

Sê corajosa e não ligues ao sermão

Não há príncipe sem senão

Já o devias saber de antemão

Agora vai e esquece o vilão

Procura um herói com formação





Já não te posso ver prá aí parada

Cheia de vazio a chorar o nada

Sentes que tens a vida estagnada

Estás só e foste abandonada

Enxerga melhor a tua estrada

Olha para a pequena presença encantada

Para ela és uma fada

E ela para ti é a tua madrugada

A tua razão de viver animada

Já chega de te sentires desprezada

Para todos nós há uma bela enseada

Descobre-a e sentir-te-ás renovada





Um dia vais voltar a amar

Embora agora não o queiras nem pensar

E vais rir e rir sem parar

E o muro à tua volta vai desmoronar

Gostava de te dar coragem para continuar

Ouve a minha música e põe-te a dançar

O caminho da vida é duro mas sabe parar

Sem ócio é impossível improvisar e arriscar

Por um futuro onde tudo vai brilhar

Vais ter de continuar a saber lutar

Pensa que não és a única a trilhar

O mundo inteiro sem par



Acredita na felicidade colorida

Tu que foste sempre filha querida

E agora volta volvida

Também deste à luz destemida

Fica tranquila e despe a pele de foragida

Só na tua cabeça é que és perseguida

Na realidade ninguém te cala ou intimida

Tiveste azar mas és forte guarida

Deixa o impulso e passa a ser mais reflectida

Mas sempre com a verdade como meta atingida

Sê alta, sê grande, vasta, imensa e contida

Sê tu própria e abraça a VIDA

sábado, 7 de novembro de 2009

O Véu Pintado



O nevoeiro também cai sobre as pessoas como um véu que oculta e cria distância. Por outro lado é fino e quando se dissipa tudo volta a ser alegremente pintado. Vem isto a propósito do filme que vi e tanto me agradou: “O Véu Pintado”, baseado no romance de W. Somerset Maugham, com a interpretação magistral de Naomi Watts e Edward Norton e a premiada e inesquecível banda sonora de Alexandre Desplat.


A acção começa na China de 1925, surpreendendo a viagem cansativa de um casal britânico: o médico Walter Fane e a sua mulher Kitty. Em registo de vários flashbacks percebemos, aos poucos, como eles foram parar àquela paisagem luxuriantemente verde. Conheceram-se em Londres, dois anos antes, numa festa em casa dela que era de família abastada. Quando Kitty desce a escadaria, o olhar de Walter já é o de um caçador decidido. A fazer jus ao nome, a jovem burguesa é uma gata mimada e dada ao conforto e afia as unhas quando a mãe dela a critica por ainda não ter casado e continuar a ser sustentada pelo pai. Furiosa, aceita casar com o bacteriologista que dirige um laboratório governamental em Xangai, apesar de não o amar. O pedido é feito numa florista, a mesma onde cinco anos mais tarde, Kitty repetirá para o filho a inutilidade de se gostar das flores. Mas ao futuro marido dirá: “Tanto empenho em algo que está condenado a morrer.” Uma frase curiosa dirigida a um médico que irá fazer todos os esforços possíveis para salvar centenas de seres humanos, também eles condenados a morrer…

Em Xangai, Kitty deixa-se seduzir por Charles Townsend, o qual num golpe de mestria simula traduzir uma ópera chinesa descrevendo os maiores temores dela enquanto jovem mulher. Charlie, que não sabe uma palavra de chinês inventa um libreto onde a heroína é uma escrava que lamenta o seu infortúnio numa terra estranha, longe dos seus e sem fuga possível. Explica-lhe que ela chora pela rapariga enérgica que foi antes e pela dor de se ter tornado uma mulher solitária mas, acima de tudo, chora pelo amor que nunca sentirá nem poderá oferecer. E aqui, cada palavra é certeira na psicologia de Kitty. Ela tornar-se-á a amante de Charlie.

Mas, numa bela tarde, o Dr. Fane vem a casa para entregar a Kitty uma encomenda do pai dela e encontra a porta do quarto trancada e ouve-os. E eles, por sua vez, vêem o puxador da porta mexer-se, antes de a pessoa se afastar. “É ele? Não é? Podia ser a amah. E se for ele, o que é que interessa? Não fará nenhum escândalo”… Assim, resolvem os amantes o tormento, regressando aos braços um do outro.

Porém, o doutor irá enfrentar a situação de outra maneira: no dia seguinte anuncia a Kitty que existe uma terra chamada Mei-Tan-Fu, situada à beira de um afluente do rio Yangtze, no interior. É lá que um surto de cólera se alastra. Fala-se mesmo da pior epidemia de sempre. E ele ofereceu-se como voluntário. Kitty não quer acreditar que ele se tenha voluntariado e indigna-se quando ele lhe anuncia que vão os dois: “Para me animar e consolar?”, ironiza o marido que se sabe traído.

Kitty é então confrontada com a verdade e Fane sugere-lhe: ou vão os dois para Mei-Tan-Fu ou ele pede o divórcio e acusa-a de adultério com Charles Townsend. A mulher reage de forma romântica e apaixonada: o amante até quer casar com ela e ambos estão cansados de tanto secretismo.

Com muita calma, Walter Fane oferece-lhe uma segunda proposta: ele dá-lhe o divórcio de forma tranquila, na condição de Dorothy Townsend se divorciar de Charlie e de este prometer que casa com Kitty.

E, como uma pomba mensageira, cheia de esperança e ilusão, a rapariga parte em busca do amante para lhe transmitir as novas. Mas Charlie tem um cargo importante, Charlie só a abraça a pedido, e Charlie quer deixar Dorothy à margem de todos os problemas… É então que Kitty ri e chora ao mesmo tempo percebendo: “Walter nunca me quis dar o divórcio. Ele sabia que tu me desiludirias.” Retorna a casa, onde o marido já dera instruções à amah para fazer as malas de ambos…

E os dois partem para o interior, numa descida ao inferno literal: à volta deles as pessoas morrem. Por dentro, ambos estão mortos. Ela sente a falta do amante. Ele debata-se com a raiva e a dor da traição. Kitty acha que o marido a pune e isola-se. Walter exclui-a do seu campo de visão.

O único vizinho vivo é o comissário interino Waddington. É a ele que Kitty pedirá o favor de enviar uma carta para Charles mas desiste com a brutal verdade que o outro lhe transmite. Sim, ele conheceu os Townsend e nunca se esqueceu de uma frase de Dorothy: “Uma vez, ouvi-a dizer que considerava muito pouco lisonjeiro o facto de haver apenas mulheres medíocres a apaixonar-se pelo marido.” É nesse instante que o amante é esquecido. E Kitty sente-se ainda mais só.

Paralelamente, Walter Fane estuda a água e comprova uma contaminação geral no poço e rio. As medidas que sugere insurgem os aldeões já insatisfeitos com a presença britânica na China. O movimento nacionalista cresce e semeia ódio. Mas se Fane, neste cenário de caos e revolta, se entrega de corpo e alma ao trabalho, Kitty continua tão frágil, cansada e infeliz como quando chegou a Mei-Tan-Fu. E o vizinho, um dia, desabafa: “Este não é um lugar para uma mulher. Ao princípio, pensei que fossem um casal tão apaixonado que não se conseguissem separar. Mas o seu marido nunca olha para si. Olha para as paredes, para o chão, para os sapatos.”

Existe um véu que separa marido e mulher. Um nevoeiro que nasceu de uma traição e o cega de raiva: “Desprezas-me assim tanto?”, pergunta-lhe, desesperada. Ao que ele responde: “Não. Desprezo-me a mim por me ter permitido amar-te outrora.” E Kitty chora, ferida também.

Uma visita ao convento das Irmãs vai trazer uma lufada de ar fresco à vida do casal. Kitty começa a sentir-se útil ao auxiliar as freiras com as crianças, nomeadamente, toca-lhes piano, algo que sempre fizera na perfeição. Walter vê-a e recorda-a a descer a escadaria. Para ele, esse tinha sido o momento decisivo. Apaixonara-se à primeira vista.

As freiras não poupam elogios ao doutor tão misericordioso e gentil com os mais novos e Kitty começa a admirar o carácter e o empenho do cientista e aproveita a nova proximidade para lhe confidenciar ao serão: “Nós, seres humanos, somos muito mais complexos do que os teus micróbios. Somos imprevisíveis. Cometemos erros e desapontamo-nos uns aos outros.” E, por fim, dirige-lhe a pertinente questão: “Porque não derrubaste a porta quando eu estava com o Charlie? Podias ao menos ter tentado dar-lhe uma sova.”

E o Dr. Fane tem esta resposta genial: “Ele não era digno disso. Ou talvez eu seja demasiado orgulhoso para lutar.”

No dia seguinte, Walter Fane salvará Kitty de ser agredida por uns tantos desordeiros que a haviam encurralado. Torna-se o herói que ela desejou mas é-o desde sempre, mesmo quando ela não o via por ter os olhos vendados.

Nessa noite, em casa de Waddington que vive com a sensual Wan Xi, o casal bebe uns copos e ouve uns discos e instala-se um clima. Kitty questiona o britânico e quer saber o que a jovem chinesa vê nele. Ele traduz a resposta dela: “Ela diz que sou um bom homem.” E Kitty remata, com ar trocista: “Como se uma mulher amasse algum homem pela sua virtude.” E por ironia, serão as virtudes do marido a reacender-lhe o fogo da paixão.

Inspirados pelo erotismo da casa ao lado, Walter e Kitty cedem ao desejo dos seus corpos famintos e quebram o gelo. O amor físico aproxima-os de novo. Passeiam, partilham e, se ela lhe admira a personalidade e o trabalho, ele faz o que quem ama sempre acaba por fazer e perdoa-lhe a traição conjugal. A felicidade instala-se e, pela primeira vez, deslumbram-se com o cenário onde estão. O inferno tornou-se no paraíso. E depois, ela dá conta de que está grávida. E ele, o médico que adorava bebés e que fica tão feliz, de repente, ao vê-la tão hesitante, ganha coragem e enfrenta-a: “Kitty, sou eu o pai?”. E a mulher é de uma honestidade trágica: “Sinceramente, não sei. Desculpa.” “Bem… Isso agora não tem importância ou tem?” “Não. Não tem.” E abraçam-se, selando um novo recomeço.

Talvez neste momento, o médico pense em sair daquela terra. Mas o curso da vida segue tão célere como a água que escorre nas engenhocas por ele concebidas. Centenas de refugiados doentes chegam e invadem Mei-Tan-Fu. O doutor desespera porque sabe que com eles vem a cólera de novo. Fazem um campo para os tratar e será lá, numa tenda, que Walter Fane contaminado morrerá ao lado de uma Kitty impotente e assustada. Antes de morrer ele pede-lhe: “Perdoa-me.” E ela tranquiliza-o: “Perdoar? Não há nada para perdoar.”

As imagens finais aceleram, enquanto se ouve “À La Claire Fountaine”, uma música francesa, cujo refrão repete: “Há muito que te amo/ Nunca te hei-de esquecer.”

Em Londres, cinco anos mais tarde, Kitty encontra o antigo amante à saída da florista. Ele ainda deixa no ar que estará por lá durante três semanas e ela despede-se dele ignorando a investida. O filho pergunta-lhe: “Quem era, mamã?” e Kitty esclarece: “Ninguém de importância, amorzinho.”

“O Véu Pintado” é um filme de amor. Um amor que Somerset Maugham não pintou no romance que escreveu e que serve de base ao filme. É brilhante porque reinventa um enredo muito mais seco e pesado e dá-lhe uma dimensão humana, demasiado humana. Com toda a nossa complexidade e ambivalência.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Nós mesmos



Só nos tornamos um ser humano completo, realizado em todas as potencialidades, quando, além de sermos nós mesmos somos capazes ao mesmo tempo de sermos nós mesmos com outro e nos sentimos felizes com isso.

Beijo de Amor



O medo da morte ou da angústia na vida real é ultrapassado num sono encantado. Mas a vida adormecida é a estagnação. Paramos de envelhecer mas não enriquecemos o nosso espírito. Os outros é que nos despertam para a vida. O beijo é assim e sempre uma promessa encerrada: a de uma felicidade possível ao lado de quem se ama.

Chaperon Rouge


Se não houvesse algo que me fizesse apreciar o lobo mau ele não teria poder sobre mim

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Conta-me outra vez

- Conta-me, outra vez, como é que eu nasci, mamã – pediu, sentada na sua cadeira, num restaurante que a atormentava por ser tão exíguo.


Carlota suspirou resignada. Ainda bem que não se podia fumar ali dentro. Há anos que lutava contra aquele vício sem sucesso. Apenas deixara de fumar quando engravidara mas todos os dias pensava desistir. Talvez um dia conseguisse.

Barrou a tosta com manteiga de laranja e sorriu para a filha:

- Um belo dia, eu e o teu papá fomos lanchar a Belém e ver uma exposição de antiguidades. De acordo com o teu pai, sempre que íamos a um local de doces típicos tínhamos de ingerir uns tantos porque nunca saberíamos quando voltaríamos a esse sítio novamente.

- O papá era guloso…

- Não o vamos classificar, querida. Caso contrário, nunca mais apanho o fio à história.

- Está bem. Continua.

- Nessa tarde, comi bastantes pastéis. O próprio empregado de mesa estava surpreendido com a nossa alarvidade. E depois quando fomos ver as velharias senti-me bem disposta, embora tenha percorrido longos corredores. Quando me deitei, à noite, doíam-me as pernas. Foi então que os pastéis começaram a dançar na minha barriga já ocupadíssima por ti.

- Adoro essa parte! Eles empilhavam-se e distribuíam-se e depois voltavam a empilhar-se e tu, coitada, às voltas na cama, agarrada à tua barriga!

- Sim, querida. Come esta tosta. Na verdade, a dança dos pastéis quase que podia ser visualizada porque as formas deles recortavam-se na minha pele esticada, como naqueles filmes em que os extraterrestres estão dentro de ti.

- Ai, que nojo! – exclamou, deleitada.

- Ultimamente dizes muito isso. Vocês só aprendem o que não devem. Enfim. Os pastéis começaram a imaginar que estavam de volta à sua antiga casa e, como tal, viviam um frenesim indescritível.

- E o papá dormia?

- Ainda não. Mas já tinha apagado a luz. Foi então que tu começaste a ficar muito zangada por te terem acordado. Executaste uma cambalhota perfeita e ficaste de pés, muito juntinhos, a apontar para baixo, antevendo a saída possível.

- E tu ouviste-me falar…

- Claro! Ouvi-te dizer muito claramente: “Mamã, ou os pastéis ou eu, mas aqui dentro não há espaço para todos.”

- E o papá ouviu?

- Não querida. Ele nunca te sentiu dentro da minha barriga. Foi uma gravidez muito unilateral.

- Estou a ver – disse, com ar entendido.

- Não tive tempo de te responder porque, como sabes, és muito rápida. Antes que pudesse dizer ou fazer algo sou abalada por um violento tremor, seguido de uma explosão de nata caramelizada. E, quando me consegui erguer, vi um bebé lindo, muito pequenino, nascido antes do tempo mas perfeitinho. Esse bebé tinha ficado de barriga para cima, a esfregar a nata da cara, como as lontras do Oceanário gostam de se posicionar. Sorriu para mim e piscou-me o olho. Nesse momento, nasceu um brilhante no céu que não tem nada a ver com as estrelas mas que, de alguma maneira difícil de explicar, está ligado ao teu nascimento.

- É por isso que as lontras me fixam tanto…

- Não sei querida. Só te posso dizer que, desde que nasceste és um autêntico doce e que muitas vezes tenho de me controlar para não te comer com beijinhos.

- Oh, Mamã! És tão querida!

- Tu é que és.

- E tu também.

- Pronto. Somos as duas.

Mais caro que o embrião americano



Relativamente ao teu Vinci GT acho giro ser o primeiro carro 100 por cento português mas com um motor americano de 480 cavalos… desculpa discordar lol Há quem o chame de Corvette transvertido. Até no painel de bordo tem escrito Corvette. Ir do zero aos 100 em menos de cinco segundos e dar os 300 km/h são luxos desportivos que também não me convencem. A carroçaria até é engraçada mas podia ser mais português...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Buon Compleanno Amore Mio


No teu mês papá... ofereço-te uma rosa amarela por dia, um pensamento por hora, um beijo por minuto e a eterna saudade a todos os segundos... Buon Compleanno...

sábado, 3 de outubro de 2009

A dança dos Sufis



A palavra dervixe descreve um sufi que está à beira da iluminação; um sufi é um membro da ordem dos dervixes rodopiantes, é um místico.
Segundo uns autores, a palavra sufi vem do grego “sophos” que significa sabedoria; segundo outros autores a palavra vem do árabe “sûf”, que significa lã que estaria relacionada com as vestes de lã usadas pelos primeiros místicos em sinal de humildade.
Foi Rumi quem criou a Sema (cerimónia) que ainda hoje subsiste nos mesmos moldes. A Sema envolve cantos, louvores, música e dança giratória, como forma de chegar mais perto de deus. A palavra Sema significa audição e designa um dos nomes ou atributos de deus revelados no Corão (ya-Samí, aquele que tudo ouve) e foi criado dentro de um modelo análogo a um sistema solar em miniatura: como os planetas giram em redor do sol, os dervixes giram ao redor do seu próprio centro. O Sema acontece pelo movimento giratório do corpo que leva a um estado de alteração de consciência; a acção de girar repetidamente leva a um estado alternado de consciência, que produz uma espécie de transe ou êxtase místico. Esse estado, de acordo com o sufismo, possibilita que o indivíduo perceba, de uma maneira mais consciente, uma “energia” que os sufis chamam de baraka (substracto material e espiritual da vida). O giro induz a um estado de transe que torna mais fácil a mística união espiritual com deus.

I'm in a New York state of mind...


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

QUERO VER O DARTACÃO!!!!!!!!!!!!!!!

Há 165 anos atrás, um senhor gordo de bigode farfalhudo divertia-se a escrever algo que, inicialmente, foi um folhetim no jornal Le Siècle e, nesse mesmo ano, passou a romance. Volume inicial de uma trilogia, suponho que o autor nunca imaginaria que volvidos tantos anos a sua obra ainda empolgasse os vivos… E assim é. E tu, minha querida, na inteligência com a qual foste brindada por Deus e que me espanta e envaidece todos os dias, és também, aos dois anos e meio, uma fã dos famosos mosqueteiros.


Tudo começou com o filme de longa-metragem dos teus amigos Mickey, Donald e Pateta. Visionado um milhar de vezes acabaste por decorar diálogos e entoar canções. E corriges-me se eu invento e não canto certo. Depois, estávamos as duas num quiosque e só te vejo de rabo para o ar a espreitar qualquer coisa no chão, entre mochilas e jornais: “Mamã! – chamas-me frenética – Está aqui um cão mosqueteiro!”. E lá veio o famoso Dartacão, o teu mais recente e inseparável amigo.

Não te cansas de ver e rever o Dartacão, de me pedir uma espada como se fosse um gelado e um chapéu com uma pena. Ou a tua insistência de irmos a Paris, como se lá existisse ainda o célebre corpo de elite dos guardas do rei ou a gata Marie.

Querida Constança, como és linda e ingénua… E como faço tudo para te agradar, lá fomos à procura de uma espada. Os empregados da loja ficaram tão derretidos com a tua fibra que um deles convenceu-te de que um balão cilíndrico com bolas de esferovite e um sino de gato lá dentro e, claro, o Mickey, o Pateta e o Pluto cá fora seria a espada ideal para ti. E foi buscar uma para ele e vocês esgrimiram armas, enquanto a colega dele com uma flauta tocava o tema musical da série animada. E cantaram os dois: Eram uma vez os três/ Os famosos Moscãoteiros/ Do pequeno Dartacão/ Tão bons companheiros/ Os melhores amigos são/ Os três moscãoteiros/ Quando em Aventuras vão/ São sempre os primeiros”.

Tu estavas nas nuvens… O teu ar radiante parecia dizer encontrei a minha gente… E enquanto pulavas e rias com a tua magnífica arma iniciaste, tu própria, a versão mais romântica da música que mais adoras trautear: “O amor da Julieta/ É o Dartacão/ E ela é a predilecta/ Do seu coração.” Bom, e até eu me juntei no coro: “Dartacão, Dartacão/ Correndo grande perigos/ Dartacão, Dartacão/ Perseguem os bandidos/ Dartacão, Dartacão/ E os três moscãoteiros longe vão chegar.”

Sei bem como vibras com o lema deles “Um por todos e todos por um!”, só não sei é como é que uma menina com a tua tenra idade se deixa empolgar por estas estórias de camaradagem e aventuras… Ah! E quando o empregado te perguntou para que querias tu ser mosqueteiro respondeste sem hesitar: “Para matar os bandidos… e os monstros.” Genial, mademoiselle.

Agora vou resumir-te algumas coisas muito giras que ainda não sabes sobre esta trupe de capa e espada.

O título inicial que Dumas deu à obra era “Athos, Porthos e Aramis” mas foi alterado para “Os Três Mosqueteiros”. Os editores sempre gostaram de melgar os autores… Enfim, Dumas lá aceitou a sugestão achando que o seu absurdo (já que os seus heróis são ao todo quatro) iria contribuir para o sucesso da obra.

Muitas das personagens existiram na realidade e outras são fictícias. Entre as primeiras encontram-se os quatro mosqueteiros, cujos nomes verdadeiros são: Charles de Batz de Castelmore D’Artagnan, Armand de Sillègue d’Athos d’Autevielle, Isaac de Porteau e Henri d’Aramitz.

Pela estátua que existe de D’Artagnan, em Maastricht, ele foi seguramente um dos mais sexys capitães-tenentes da Primeira Companhia dos Mosqueteiros.

Mas o mais inacreditável, meu amor, é que a grande paixão de D’Artagnan na obra de Dumas se chama CONSTANCE

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Cerejas


Há coisas que me custam imenso a engolir. Como o fim do Verão. Ou a má disposição dos outros. Mas sobretudo as tretas. São como as cerejas da Carolina Patrocínio. Haja uma empregada piedosa que lhes tire os caroços :-)))

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Meu pequeno dragão



Deste mês de Agosto vou recordar o teu riso feliz, a exuberância das tuas corridas, o olhar de puro êxtase com o qual brindavas a tua prima pouco mais velha do que tu. Vou guardar para sempre na memória o teu corpinho pequeno de pernas apetitosas, braços mordíveis e barriguinha saliente, tão trigueiro e lindo, movendo-se à beira-mar ou no descanso sereno na chaise-longue. Vou lembrar-me de me banhar contigo no meu colo, de percorremos a praia de mão dada, da tua alegria aos saltos nas piscinas de areia que fiz para ti. Sempre que estiver triste pensarei nas tuas gargalhadas enquanto perseguias a Bi e fingias ser um dragão ou na forma implacável como saltavas para cima dela só para lhe cravar um beijo, tu que és tão beijoqueira e dada aos saltos e pulos de toda a espécie.
Quando a angústia me bater à porta vou evocar as tuas perguntas tão maravilhosas e inocentes como tu: “Mamã, quando encontrarmos o Mickey posso brincar às escondidas com ele?”. Ou a tua lógica desarmante: “Tu gostas de cenouras. És um cavalinho.”
E se todos os meus gestos diários ao longo do ano são para ti, os deste mês marcam-me mais por serem bem tranquilos, polvilhados de sol, salpicados de água e embalados pela tua felicidade. Gosto de te ver crescer. Todas as tuas frases. A tua educação que já começa a ser polida. Os teus medos que me fazem sorrir secretamente… medo do Edgar que leva os gatinhos, medo do sapo que assusta a Marie, medo de dragões mas como tu os imaginas, isto é, sem os associares aos dragões mitológicos, o que é o máximo. E neste terror, em particular, associas-te, sem saber, aos antigos cartógrafos que quando exploravam os territórios e chegavam a zonas dúbias que temiam, ao invés de se aventurarem, apenas escreviam nos seus mapas: daqui para diante há dragões. É engraçado como o teu medo faz parte deste pavor secular e inconsciente.
Como me posso esquecer dos teus gritinhos ao entrares nos quartos minúsculos do Convento dos Capuchos, em Sintra? Divisões à tua medida, de dois anos e meio. E a expressão radiante da Bi quando descobriu as moedas na fonte do pátio: “Madrinha, é verdade o que tu disseste! Estão moedas lá dentro! A sério que não as podes ver? De verdade que só nós, as crianças, as podemos ver? Tu não as vês, pois não? Pois não?”.
Não há nada neste mundo que pague um momento destes. São retalhos de magia, bocados cintilantes a iluminarem um mundo sombrio e feio. E é por isso que não deveria ser difícil fazer as crianças felizes. Só por impaciência ou maldade nos podemos esquecer de dar o melhor a quem o merece.
Vocês irão crescer e tudo irá mudar. As pessoas partem, adoecem e morrem. E o que fica é um punhado de recordações. Não sei se no futuro, quando vocês forem mais crescidas, ainda sentirão a loucura desmedida que nutrem agora uma pela outra. No fundo, espero que sim e que sejam sempre boas amigas e primas amorosas.
A mamã teve azar e a prima preferida dela morreu tragicamente no Verão de 1979. É uma data difícil de esquecer. Ficaram outras primas mas os episódios da minha infância que ainda hoje me fazem rir e chorar foram ao lado da Mafaldinha. Talvez um dia te possa contar uma ou outra peripécia. Mas agora o palco é teu. A mamã já teve a sua infância dourada e agora a vez é tua, meu amor pequenino.
Desejo fazer-te o mais feliz possível e, quando o meu dia começa com essa vozinha ensonada a dizer bom dia, mamã sei que estamos no bom caminho. Eu e tu. Mosqueteiras para a vida.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Espelho de Margarida

“Um espelho nunca mente, fiel como ninguém”, pensou a princesa Margarida, mirando-se de alto a baixo. Ganhou então coragem e perguntou em bicos de pés e num fio de voz: “Espelho meu, espelho meu, diz-me tu se a solidão faz o amor ver melhor na escuridão?”. Ao que o espelho respondeu: “Quando o visado não se olha a si próprio e não se revê nos gestos que tem e nas palavras que diz falta-me o poder de o elucidar. O meu reflexo, nesses casos, é apenas vaidade.”
A princesa Margarida não desarmou e insistiu: “Espelho meu, espelho meu, diz-me tu onde estão os braços dele e os meus passos para onde vão?”. Ao que o espelho, de prontíssima resposta proferiu: “Pequena princesa… suspiras por braços que nunca te abraçaram e se o fizeram foi numa mediocridade afectiva e no mais falso dos ambientes. Porque anseias por uns braços assim, quando as tuas lindas pernas podem trilhar caminhos inicialmente penosos mas levar-te-ão à PAZ merecida? Acredita nos teus passos. Hoje vacilantes, amanhã linda e segura. Não tenhas medo de arriscar. O que assusta é a estagnação. É ficar por medo do desconhecido.”
Afastando uma lágrima por a resposta não ter sido do seu agrado, a princesa confessou: “Espelho meu, espelho meu, mas sinto-me como um barco vazio, pelas margens do rio. Não há anjo mais triste e o meu canto é breve e cansado. Queria que alguém me levasse mas dorme o meu pequeno mundo.”
“Trata e guarda o que é teu afinal”, respondeu-lhe o espelho e prosseguiu: “Em ti, vive a arte de ser parte de um mundo melhor. Sobe ao cimo de ti e no alto rasga as voltas que des-te. Fica em silêncio e paz.”
“Pois é… mas por amor vejo agora a minha vida meio perdida neste beco sem saída… Apetece-me soltar as feras e fazer magia, desapertar os sentidos e ser Deus por um dia”, desejou para si própria.
Depois, apanhou o cabelo louro, viu o reflexo dos seus olhos verde-esmeralda e voltou a questioná-lo: “Espelho meu, espelho meu, de que me adianta ter agora os olhos bem abertos? Deixa-me vazia e só. Ironias. Não gosto de viajar sem saber para onde vou. Ir sem bagagem, nem direcção. Sair sem destino.”
O espelho tossiu incomodado: “Mas tu, princesa Margarida, sabes de cor o melhor e o pior, sabes mais do que querias. Não me ponhas a adivinhar. Não digas que o louco sou eu. És senhora do tempo sem fim. Minha jóia de luz, oiço só o que disseres e diz tudo o que quiseres. Só para te distraíres eu faço dançar a lua.”
A princesa soltou um risinho e inclinou a cabeça para trás numa eterna coqueterie feminina. Uma brisa despenteou-a, ágil, e os seus olhos brilharam de vida, acendidos: “Espelho meu, espelho meu, na verdade tu és a soma de tudo, claridade, o outro lado das coisas que não entendo. Chega mais ao pé de mim e repete por favor as palavras que me faltam, diz-me assim: há sempre lugares onde o céu é de todas as cores e o mar é como o fizeres.”
“Digo-te que tenho visto castelos, princesas, muralhas de papelão, dúvidas, certezas, deuses sem coração. Ganha quem souber calar, ganha quem souber esquecer. Esquece a dor que agora sentes que ela há-de passar e essas feridas abertas do amor também hão-de sarar.”
A princesa olhou para o seu reflexo muito séria e repreendeu-o: “Vasculhaste os meus segredos e eu deixei sem reservas ou pudor. Agora, lava de mim todas as sombras do medo, sombras que andam pelo ar em segredo. Quem atrás dos panos se esconde afinal? Floresta de enganos, meu vaso de cristal, já cansei de fugir, de tentar me enganar, volto sempre, sempre aqui, ao fundo de mim… É como se fosse uma força estranha, um canto frio de sereia chamando do fundo do mar. Guarda o que resta de mim… junto ao peito.”
E o espelho viu-a, leve, senhora do vagar dela, livre de partir ou de ficar. Serena como a noite. E soube que um dia seria resgatada. Mas não lho disse e seguiu apenas os gestos dela de LUZ.

Adoro a voz de PAULO GONZO. É máscula e viril, sofrida e sentida, bêbeda e louca, mágica e sedutora, numa palavra diria, POESIA. Bem haja por a partilhar com todos nós.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Casa de Mulheres


Já há muito tempo que as respostas de uma entrevistada não me faziam sorrir numa velada cumplicidade. Por isso, transcrevo os parágrafos que mais me tocaram:

“Quando se parte para um casamento, parte-se para um projecto de vida e para a vida. Foi assim que encarei o meu casamento e, quando as coisas não correm como nós queremos, toda a nossa vida fica em causa e nós próprios ficamos em causa. Existiu, nesse momento, um balanço enorme que foi preciso fazer e decidir se a vida deveria continuar naqueles moldes ou se era possível viver uma vida diferente, mais fácil, mais inteligente e mais bonita. Foi esse o trabalho que fiz, grande parte dentro do casamento, até chegar aqui. Sinto que cresci muito. Acho que consegui fazer uma mudança inteligente na minha vida. Hoje as coisas estão arrumadas, o tsunami passou.”

“Quando de repente uma vida deixa de ser a três e ficamos duas, eu e a Joana, o nível de responsabilidade é muito maior, porque ao meu lado está uma pessoa que tenho de ajudar a crescer estruturada e forte. Nesse momento, olhei para mim e percebi que era a única responsável pela casa, pelo carro, pelo emprego, pela minha filha e perguntei-me se seria capaz. A verdade é que estou a ser, e de uma forma muito tranquila, desatando muito nós que tinha para desatar e reerguendo-me.”

“É uma casa de mulheres, uma república feminina garantidamente muito divertida e muito bem habitada.”

“Obviamente que quando acabamos uma relação é na perspectiva de se ser mais feliz do que se era nessa relação.”

“Foi para ser feliz que me dei ao trabalho de me divorciar. É isso que mais quero: ser feliz com a minha filha. Só quero continuar o meu caminho e, um dia destes, virar a esquina e encontrar o que me falta.”

As respostas são da jornalista Ana Lourenço à revista Caras nº726, edição 11 de Julho 2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Summer School


Durante este mês, o infantário da Constança transforma-se numa animada Summer School. Assim, ontem, iniciaram todo um percurso de refrescantes actividades com uma ida ao teatro “Tom and Hulk”, no Jardim Botânico, em Lisboa, seguida de um alegre pic-nic. Hoje, vai à praia e, pela primeira vez, entrou no infantário a cantar alegremente! Já ontem – devido ao melodioso percurso de autocarro – não parou de cantar noite adentro: Fui ao jardim da Celeste giroflé, giroflá, fui ao jardim da Celeste giroflé, flé, flá / Lá em cima está o tiro-liro-liro, cá em baixo está o tiro-liro-ló! Juntaram-se os dois à esquina a tocar a concertina e a dançar do solidó / Na quinta do Tio Manel i-a-i-a-ô há vaquinhas a granel, etc…
Eu própria tive de refrescar as minhas memórias para a poder acompanhar nas cantorias a que ela é muito chegada como admitiu o pai, orgulhoso da veia lírica do rebento. E amanhã a bebé vai estrear-se num atelier de pintura.
Alguns amigos meus acham estranho que continue a designá-la por bebé. Mas a Constança com os seus dois anos e, a fazer em breve os dois e meio, ainda é muito bebezinha mesmo. E só apetece enche-la de mimos, beijos, presentes e surpresas a toda a hora.
Para a semana, o relvado da escola vai estar repleto de pequenas piscinas para a malta pequena chapinhar e brincar e têm planeada uma visita a uma quinta pedagógica, muitos jogos tradicionais, mais idas à praia e ateliers de várias técnicas, incluindo modelagem em barro. Também durante este mês irão ao Museu do Brinquedo e ao Jardim Zoológico, à Baía dos Golfinhos.
Para a Constança, o infantário adquiriu um novo brilho. Deixou de ser uma “prisão” para passar a ser algo espectacular, repleto de surpresas e animação!!! À noite dorme que nem uma pedra… E eu descanso também.
Não há nada mais encantador na vida do que assistir ao espectacular desabrochar de um ser humano. Cada dia é mais uma pétala que rebenta, uma frase nova que surge, uma vitória no conseguir sozinha, um avanço e uma progressão velozes. Como me sinto privilegiada por assistir na primeira bancada à one-child-show que é a minha filha.
Ontem, por exemplo, falei ao telefone com alguém que ela não via desde muito bebé e a Constança identificou perfeitamente a interlocutora e expressou-se de forma perfeita. Fiquei arrepiada… Assombrada… Às vezes, não parece deste mundo.
Sei bem que todos os pais enaltecem os seus filhos, muitas vezes, até, imerecidamente mas fazem-no por ignorância. No entanto, esta criança fala por si e só quem a vê pode presenciar e sentir uma alegria tamanha.
No fundo, as crianças são e serão sempre a nossa esperança para um mundo melhor. Como pequenas sementes, se forem bem tratadas irão crescer e fazer a diferença. Por isso, os grandes pensadores tiveram sempre uma mensagem sobre elas para nós, os adultos, meditarmos. Aqui ficam algumas:

“Deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o reino dos céus” Jesus Cristo

“O melhor do mundo são as crianças” Fernando Pessoa

“As crianças não têm passado, nem futuro, e coisa que nunca nos acontece, gozam o presente” Jean de La Bruyère

“Não há crianças ilegítimas – só pais ilegítimos” Léon R. Yankwich

“O correr das águas, a passagem das nuvens, a brincadeira das crianças, o sangue nas veias. Esta é a música de Deus” Hermann Hesse

“A melhor maneira de tornar as crianças boas é fazê-las felizes” Oscar Wilde

“As crianças têm mais necessidade de modelos do que de críticas” Joseph Joubert

“Não é o sofrimento das crianças que se torna revoltante em si mesmo, mas sim que NADA justifica tal sofrimento” Albert Camus

“De todos os presentes da Natureza para a raça humana o que é mais doce do que as crianças?” Ernest Hemingway

“As crianças são o ornamento da vida neste mundo” Textos Islâmicos

“Crianças mortas mundo que escreve mal por linhas tortas” Carlos Seabra

“Os escritos são a descendência da alma assim como as crianças o são do corpo” Clemente Alexandria

“A RUA é a mãe de muitas crianças, o LIXO é o berço de muitos bebés, a nossa indiferença é o INFANTICÍDIO” David Saleeby

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Maternidade como metáfora da morte

No CCB, em Lisboa, dias 3 e 4 de Julho e, depois, no Teatro de S. João, no Porto, dias 7 e 8 de Julho, uma dança contemporânea do grupo de Platel dá expressividade à ideia de que a mãe é uma assassina. É-o na medida em que trazer uma criança ao mundo é também condená-la à morte: a criança vai morrer um dia...
Porém e, se nós tivéssemos sempre presente a noção da morte nas nossas vidas, nunca faríamos nada. Tudo seria vão e inútil. Comprar uma casa para quê? Um dia vou morrer. Vestir-me para quê? Fazer amigos ou amantes para quê? Gostar de alguém ou de algo para quê? Para o bem da nossa estabilidade mental temos de aceitar que a lei da vida é igual para todos e que quem nasce morrerá mais cedo ou mais tarde. Perdemos entes queridos e sofremos muitíssimo antes mesmo do nosso próprio calvário.
Talvez se as pessoas se convencessem da fragilidade da espécie humana fossem melhores para elas e para os outros que as rodeiam. Quando se morre nada se leva e o que se deixa é a eterna saudade...
Gostava de ser imortal para estar sempre ao lado da minha filha. Quando a asseguro de que não me vou embora e que estarei sempre ao lado dela lembro-me de dizer o mesmo ao meu pai quando ele estava a morrer vítima de um penoso cancro... O mais curioso é que apesar de não ter estado com ele no momento exacto em que o meu adorado pai partiu, sinto que entre nós há um laço tão forte que nem a morte o quebrou.
Sonho e penso muito nele e, em mim própria, trago-o à vida vezes sem conta. Talvez por isso se diga que o AMOR vence a morte.
Tudo é trágico na vida dos seres humanos e o melhor que nos resta fazer é aproveitar ao máximo este tempo que medeia entre o nascimento e a morte. Esforcemo-nos por ser felizes e conscientes. Hoje estamos vivos e amanhã estamos mortos mas não é por isso que vamos deixar de gozar a vida. É preciso coragem para viver todos os dias e bom senso para seguir o melhor caminho.
E não vamos crucificar a mãe só porque já crucificámos o filho. Já parece a estória do ovo e da galinha… A mãe também foi filha de alguém...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Farewell My Summer Love

Acho que hoje ninguém vai falar de outra coisa ou podem falar de tudo mas disto também: a morte de Michael Jackson. Aos cinquenta anos, o coração do outrora grande cantor e Rei da Música Pop decidiu parar. Morreu antes da velhice, inesperadamente, como mais um capricho da Senhora da Foice. Mas sejamos honestos: Michael Jackson já tinha morrido para nós. Excêntrico e isolado, a última notícia que dele sabíamos era que ia dar uns concertos finais em Londres para depois se retirar da carreira musical. Ele que era a Música, que inventou os videos mais espectaculares de sempre ou os passos de danças e os gritinhos imitados por todos os outros que o sucederam.
Quando somos jovens temos sempre os nossos ídolos. O meu era o Michael. No meu quarto, as paredes suportavam toneladas de papel com fotos e recortes de imprensa, posters e tudo o que eu encontrasse dele. Possuia todos os discos de vinil, os mais famosos e os menos conhecidos, do tempo dos Jackson Five. Adorava ouvir aquela voz andrógina e dançar ao ritmo de Billie Jean. Eu e as minhas primas, em particular a Teresa, que me traziam de Paris as t-shirts, os bonés, as luvas, as meias fosforescentes e tudo o mais que aqui, em Portugal, não se encontrava em parte alguma.
As mães das outras crianças paravam-me na rua: "Olha que giro! Onde é que compraste isso? A minha filha ia adorar!". Ao que respondia muito orgulhosa: "Foi uma tia que me trouxe de França" e lá partia a bailar rua fora.
Até tive uma amiga negra que me ensinou a dançar e a usar o chapéu com estilo. E na praia, a minha mãe ia atrás de mim e da Té porque andávamos malucas atrás dos miúdos de cor que saltavam do paredão e achávamos lindos de morrer.
Foi esta prima que me contagiou numas férias. Trouxe a cassete do Thriller e, a partir daí, vivia para aquele ser. Comecei por pronunciar o nome dele à francesa: Jácksón lol Michele Jácksón. Depois lá corrigi o francesismo da prima. E fiz um caderno, que ainda guardo, escrito pela minha mão de criança, com a transcrição de um sem número de entrevistas dadas pelo cantor. Era a loucura. A minha mãe chegou a desafiar-me a forrar o tecto do quarto, a única área livre.
Depois, aos poucos, deixei de gostar dele. Primeiro, odiei as operações plásticas. Um preto a querer ser branco à força não me pareceu normal. E o nariz, tantas vezes operado, a máscara, tudo isso o desconsiderou aos meus olhos. Deixei de seguir a música dele. Quando saiu Bad já estava noutra.
Seguiram-se os escândalos com as crianças, a PEDOFILIA, os milhões pagos por ele para calar as famílias. O Michael morreu de vez. E, nesse momento, morreu não só para mim como para o mundo inteiro. Poucos acreditavam na sua inocência. A mãe dos seus filhos brancos aproveita para confessar que ele nem sequer é o pai das crianças mas que lhe pagou generosamente o silêncio dela.
Vejamos então: este homem que é um génio na música é também um doente. A PEDOFILIA é uma doença na qual o cérebro tem fome sexual de crianças. A cura é quase impossível e os crimes sucedem-se, uns atrás dos outros, sem que existam censores cerebrais para travar o impulso.
Os adultos normais que mantêm relações saudáveis com as crianças - suas e dos outros - mostraram repúdio por este homem e ele, naturalmente, excluiu-se de nós... Foi este o triste fim de Michael Jackson. A morte, aos 50 anos, retira-o de vez de cena...
Ontem também morreu Sarah Fawcett, com um cancro, aos 62 anos. Mas o anjo de Charlie não é tão famoso como Michael. Não voou tão alto. E por isso, os noticiários vão teclar até à exaustão a vida dele e as revistas trá-lo-ão à vida inúmeras vezes. Não vamos esquecer Michael Jackson. Ele soube ficar imortal pelos melhores e piores motivos.
Farewell My Summer Love...

terça-feira, 9 de junho de 2009

Hino à masturbação feminina


Já reparei que os media andam em grande frenesim com o estudo estatístico da investigadora Ana Alexandra Carvalheira sobre a masturbação das mulheres portuguesas. Em primeiro lugar, as revistas acham que o sexo vende sempre. Mas será que é necessário tanto alarido perante o trabalho desta psicóloga? Sinceramente, só se for pelo ridículo de algumas conclusões do género “14,6 por cento usa uma almofada ou algo semelhante para pressionar os genitais”. Almofada?! “5,1 por cento senta-se em determinadas superfícies (bancos, sofás, corrimão de escadas, etc.”. Corrimão de escadas?! “0,7 por cento fá-lo a andar de bicicleta.” De bicicleta?! Como é que eu vou olhar mais as miúdas ao meu lado cada vez que estiver no Holmes Place a pedalar?
Ainda se apurou o tempo dispendido e o sentimento de culpabilidade, vergonha, por aí.
Sinceramente, acho que se está a passar de um extremo ao outro e tanta conversa sobre a vagina já enjoa. São “Os Monólogos da Vagina” peça de culto de tudo o que é lésbica e agora estes dados interessantíssimos para todas nós. As revistas masculinas não exploram a masturbação dos homens, antes os inspiram ao acto com as fotos cada vez mais ousadas que publicam. Parte-se do princípio que não vale a pena estudar algo que é tão óbvio como respirar: os homens sempre se masturbaram. Porém, as mulheres merecem logo um case study, tal como também têm o Dia da Mulher quando, a meu ver, o Dia do Homem é também o da Mulher porque de toda a humanidade.
Penso que a masturbação é algo demasiado íntimo para ser abordada desta forma e aposto que as pessoas escondem sempre o que realmente lhes dá pica quando e como o fazem. Mas também isso só deveria interessar-lhes a elas e aos parceiros delas.
Eu, por exemplo, cresci com as minhas próprias noções do que estava certo e errado. Na catequese nunca se falou nisso mas os meus colegas rapazes confessavam esse pecado e lá rezavam o que tinham a rezar e depois iam para casa tranquilos e voltavam a pecar e a confessar repetidamente. Um dia, enchi-me de coragem e perguntei à minha mãe: “Oh mãe, o pecado sensual contra a Natureza é deitar pacotes e garrafas para o meio do mato e poluir assim forte e feio?”. Ela riu-se tanto mas depois lá me acabou por explicar. Quando acabou eu já tinha desligado. Nunca mais fui à missa nem me confessei. Tinha doze anos e considerei que a hipocrisia não ia fazer parte da minha vida. Até hoje.
Eu sei que as pessoas não são todas iguais mas não conhecerem o próprio corpo, não se tocarem, estarem à espera que sejam os outros a descobri-las parece-me vazio demais. É como se uma pessoa viajasse até uma cidade estrangeira e, depois, em vez da aventura de descobri-la e conhecer-lhe os recantos ficasse à espera das indicações clichés dos guias…
Uma mulher inteligente conhece as curvas do seu corpo, orgulha-se da sua feminilidade e estimula o parceiro a partilhar a maravilha que é ser fêmea. Sei que há muitas reprimidas por aí mas não é pela educação, às vezes é pelo próprio marido. Por isso, o vibrador deve ser sempre o nosso melhor amigo. É pá, mas não publiquem isto lolololol!!!!!!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Uma miúda de Barcelos na Rússia



Não há sentimento pior do que a dor de perder quem se ama. Quando é a morte que nos retira um ente querido nada podemos fazer para além de sofrer e chorar e sentirmo-nos impotentes e cada vez mais humildes perante todo o mistério da vida e da morte. Mas quando perdemos alguém que tanto amamos e essa pessoa continua viva sem a podermos ver, ouvir ou tocar a dor ainda é mais dilacerante porque é ferida aberta a sangrar todos os dias e nada a parece sarar… Eu que sou uma pessoa batalhadora e não gosto e perder nem a feijões fico desaustinada quando sou obrigada a desistir. E, por isso, raramente desisto…
Vem isto a propósito da Alexandra, uma menina de seis anos que as autoridades portuguesas decidiram entregar à mãe biológica russa. A Alexandra nasceu em Braga e tem pronúncia do Norte. Desde os 17 meses que foi acolhida por uma família portuguesa. Os pais dela afectivos/adoptivos são João Pinheiro e Florinda Vieira, residentes em Barcelos. A mãe biológica prostituía-se e drogava-se, não reunindo condições para a criar. Porém, visitava-a e, segundo os pais adoptivos, essas visitas até eram dolorosas para a criança porque alegadamente a mãe russa batia na menina, apesar de ter sido chamada à atenção várias vezes…
Por decisão dos tribunais portugueses a Alexandra vive agora em Pretchistoe – a 350 quilómetros de Moscovo – e dorme em cima de um forno. A mãe continua a bater-lhe e, desta vez, sem ninguém a interferir. A televisão russa capturou essa agressividade mas não me chocou tanto como a fotografia da criança a chorar quando arrancada do colo do pai. Nem como a frase que eu li numa das muitas reportagens que se fizeram e têm feito até a Alexandra ser notícia: “Com o tempo, olhará menos os outros: as crianças tristes desistem de olhar, devido ao vazio de afectos em que vivem.”
Custa acreditar que os tribunais continuem a decidir tão erradamente depois de tanta tragédia humana neste caso específico de crianças entregues à família biológica. Já se provou, com sangue, no nosso país que os pais biológicos não são os melhores. No entanto, existe esta cegueira do sangue do mesmo sangue até dar em banho de sangue uma vez mais… Em 2005 assassinaram a Vanessa, de cinco anos, numa banheira com água a ferver e depois atiraram o corpo ao rio. O pai e a avó. Foi preferível ter sido morta em família biológica do que ficar ao cuidado da mãe Rosa por quem tanto chorou e chamou até a silenciarem para sempre…
E agora vem o ministro disto e daquilo dizer que errar é humano. É pena não terem errado com a filha ou o filho dele. Ninguém tem o direito de lavar as mãos desta maneira. Ninguém devia dormir tranquilo quando uma criança é levada a ferro e fogo dos braços dos seus para um ambiente de horror, seja porque a alistam numa guerra – como fazem a tantas crianças africanas – ou porque a devolvem a uma família incompetente e desordeira e, pior ainda, quiçá criminosa.
Espanta-me que a gente do Norte tenha cruzado os braços, eles que são lutadores por excelência e orgulhosos de serem berço da Nação. Não a população, que essa está revoltada e tudo faz para trazer de volta a bebé que nasceu em Braga e que, para todos os efeitos, devia ser considerada portuguesa. Até existe um blogue fantástico, cuja petição, como é óbvio, já assinei - http://xaninhanossa.blogspot.com/2009/05/mae-da-menina-russa-critica-educacao.html.
Os portugueses normais fazem tudo o que podem para demonstrar o seu desagrado perante esta decisão judicial do Tribunal da Relação de Guimarães confirmada pelo Supremo Tribunal de Justiça. Mas o juiz Gouveia Barros e os técnicos que chegaram a este veredicto, esses sim, deviam ser repatriados. Não se provou que a mãe era alcoólica e prostituta? A família tinha condições de dar uma vida normal à criança? Mas o que é “normal” na mentalidade de uma mulher de má índole? Sovar e dormir em cima de um forno é normal?
Normal para o nosso amigo juiz é ver o mundo ruir aos seis anos. Isto deixa-o de consciência tranquila. Sabem porquê? Porque não são os olhos dele que estão tristes e desistem de olhar. Porque o buraco negro do vazio não se abriu nele mas num pequeno corpito. E quando, um dia, esse corpito aparecer ou não – o da Joana evaporou-se, devido aos “mimos” da mãe e do tio – o juiz Gouveia Barros do Tribunal da Relação de Guimarães vai continuar a estar de consciência tranquila e a não se arrepender.
Mas a Alexandra está tão deslocada na Rússia como o E.T. na Terra. E se o extraterrestre de Spielberg apontava o dedo e dizia “E.T. GO HOME”, a Alexandra faz o mesmo. Ela só quer regressar a casa. E a casa significa as pessoas que mais amamos, que nos dão carinho e amor. As que nos ficam na memória. Para sempre.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Os brilharetes da bebé

Aos dois anos e três meses a bebé é um amor a crescer e a surpreender com as suas fabulosas tiradas. Recentemente fomos a uma médica alergologista para tirar a limpo as alergias da Constança. Hum… parece-me que é a primeira vez que escrevo o nome dela talvez por a começar a ver mais como uma menina e menos como uma bebé.
Assim que entrou disse à médica: “Doutora, a Constança tem tosse.” E eu e a médica entreolhámo-nos espantadas e divertidas. “Muito bem! Mas que comunicativa!”, terá incentivado. E, depois, venho a saber por quem tal estudou que, nesta idade, este tipo de frases revelam uma criança sobredotada. Fiquei babada, claro.
O dom da Constança é justamente o da linguagem. Expressa-se com imensa nitidez, fala e dialoga quando a maior parte dos miúdos da turminha dela poucas palavras dizem ou limitam-se a emitir sons como o pobre Tyler de quem nunca ouvi uma palavra. Tem uma enorme facilidade de aprendizagem e é incrível como absorve tudo o que ouve e vê. Por exemplo, há coisas que ela sabe que eu nem sequer sabia que ela já sabia. E não me refiro a canções no infantário. Mas noções mais profundas que lhe ficaram alfinetadas na memória desde bebezinha. Por exemplo, uma destas noites brincava com ela na cama e chamava-lhe meu amor, és o grande e único amor da mamã e essas coisas que nós dizemos quando adoramos os rebentos. E vai a bebé, olha para mim e diz-me: “Não mamã. O amor grande da mamã é o papá Manel.” Escusado será dizer que não sabia se felicitá-la ou ignorar o comentário mas lá acabei por fazer o errado e fingir de conta que nada ouvira. O que foi injusto porque desde bebé, sempre que a embalava lhe dizia: “A mamã tem dois amores. O papá é o grande e tu o pequenino.” E sinceramente estes brilharetes da Constança deixam-se estarrecida. Como é que ela se vai lembrar de uma resposta destas?
Por exemplo, séries e desenhos animados. Identifica o nome de todas as personagens e bonecos de que gosta. Memoriza os diálogos e repete-os quando visiona os mesmos filmes, rindo-se ou não, conforme a situação, mas senhora do seu texto, qual actriz de nariz empinado… Só vendo é que dá para acreditar. Faz-me lembrar a memória brutal do meu pai que, desde poema épicos aos diálogos do Ribeirinho e Vasco Santana, nada lhe escapava.
Fascina-me toda a destreza mental e facilidade de aprendizagem da bebé e não consigo deixar de estar super orgulhosa com a minha petite Mme de Staël. Embora os salões há muito tenham desaparecido espero que ela encontre sempre interlocutores à sua altura e tenha uma felicidade que graças a Deus é e será comum às mentes fortes e criativas.
Por isso, paciência. Lá vou ter de enfrentar os seus piores inimigos – pó, ácaro e pólen, de acordo com os testes da especialista – e afastá-la de cães e gatos, sacrificar os meus adorados tapetes persas, almofadas e todas as coisas inúteis que também se têm em casa para vivermos num ambiente minimalista mas saudável para a bebé.
A Constança também gosta de pintar – partilhamos um caderno de aguarelas – e adora ajudar-me na nossa colecção de bonecas. Já as distingue e alegra-se por as poder lavar e vestir juntamente com a mamã. Escolhe a cor dos sapatos e não gosta de ver nenhuma despida porque, segundo ela, têm frio.
Já fez tentativas de maquilhagem e assaltos (ainda que sem segundas intenções) ao meu quarto de roupa. Basicamente adora esconder-se entre as peças.
E como seria de esperar já começa a expressar-se também em inglês uma vez que o infantário é bilingue: Good Morning Friends foi a primeira frase que aprendeu. Já canta Happy Birthday To You e despede-se com um alegre bye-bye. Entre outras coisas que eu vou descobrindo.
Gosta de cantar e de dançar. Já distingue esquerda e direita. Sei lá. É o máximo esta criança mas quando lhe chamo geniozinho repreende-me: Não, mamã. Constança bebé querido e mais lindo do Mundo.” Oh, my God!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Da cegueira

No outro dia estava a ver um filme que até achei piada. Chamava-se “Salsa e Diamantes”. Às tantas – e esta é uma cena insignificante no enredo do filme – está a família à mesa, a almoçar, mãe, pai, miúdo e avô. Rebenta uma discussão e o pai dá uma estalada à mãe e levanta-se da mesa. Depois dirige-se para a porta e ela vai atrás dele a suplicar-lhe para ficar. O miúdo será educado pela mãe e avô até partir rumo ao seu destino. Mas o que interessa salientar é que mesmo depois de agredida por uma cena menor – o miúdo queria ou não comer já não me recordo em detalhe – a mãe vai atrás do agressor e pede-lhe: “Não te vás embora.”
Outra situação: há poucas semanas interessei-me por um transplante facial pioneiro numa mulher cuja cara tinha sido rebentada à caçadeira pelo marido “acidentalmente”. Ele está preso mas ama-a e considera que a desgraçada está muito bonita. Quer voltar para ela. A mulher que também é mãe dos filhos dele está pronta a perdoá-lo e a recebe-lo de volta.
Nestes dois casos apresentados parece conclusivo numa primeira leitura que ambos os homens, maridos e pais são umas bestas inclassificáveis dignos do maior desprezo. No entanto, as vítimas maiores são as que os perdoam e aceitam de volta. Todos nós podemos ter a nossa opinião sobre a matéria mas a delas é que vai vigorar. Parece-me estranho e altamente misterioso que o coração – tal como Pascal apurou – tenha razões que a própria razão desconhece…
Mães… abram os olhos!!!!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

I'll be always dancing with you

Heaven, I'm in heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When were out together dancing cheek to cheek

Heaven, I'm in heaven
And the cares that hung around me through the week
Seem to vanish like a gamblers lucky streak
When were out together dancing (swinging) cheek to cheek

Oh I love to climb a mountain
And reach the highest peak
But it doesnt thrill (boot) me half as much
As dancing cheek to cheek

Oh I love to go out fishing
In a river or a creek
But I dont enjoy it half as much
As dancing cheek to cheek

(come on and) dance with me
I want my arm(s) about you
That (those) charm(s) about you
Will carry me through...(right up) to heaven,

I'm in heaven
And my heart beats so that I can hardly speak
And I seem to find the happiness I seek
When were out together dancing,
out together dancing (swinging)
Out together dancing cheek to cheek