A bebé fez dez meses. A grande mudança que registo é o gatinhar aperfeiçoado, ou seja, já não arrasta a barriga no chão mas, apoiada nos joelhos faz as suas diabruras na pista dela, o tapete. Aliás, comprámos um de propósito para estas primeiras tentativas de evasão. E, claro, colocámos cantos de silicone nas esquinas, tapámos as tomadas eléctricas e forrámos as arestas da lareira com barras macias. Deliciada, a bebé percorre a nova área – muito mais enérgica e animada do que quando se encontra “enjaulada” no parque. Porém, abençoado parque que é de uma enorme segurança sempre que quero fazer qualquer coisa estilo um batido, um texto ou uma arrumação, desde que não muito demorados.
A mãozinha que acena é outra gracinha que se tem aprimorado. Este gesto tem tido interpretações várias, sendo a dos meus sogros a de que “ela quer chamar-nos”…
Também consegue levantar-se ao apoiar-se no sofá, no cesto de revistas ou nas nossas pernas quando nos deitamos com ela no tapete. Ri muito quando está de pé, contente da vida com as suas habilidades. E quando ri exibe quatro dentinhos: dois juntos em baixo – os primeiros a nascerem – e dois juntos em cima, um já bem saído e o outro a romper. E morde, o que é um encanto. Adoro sentir os dentinhos dela morderem o meu dedo que coloco provocadoramente na boquinha dela.
Li numa dessas bíblias de bebés que, aos dez meses, devemos começar a falar mais com eles. Mesmo que não entendam o significado das palavras começam a repeti-las. Até agora são monossílabos mas já ouvi o mã mã mã. E adorei, claro. O que ela diz desde sempre e com grande desenvoltura é “olá”. Às vezes, fica a cantarolar “olá” montanhas de tempo. Mas as cantarolices no estado de deitada perdem para os gritos de descoberta pela casa fora. Imagino quando andar mesmo e correr… Ainda assim, já tropecei num ou noutro brinquedo e vamos só no princípio.
Já tem um telemóvel e um computador para bebés de 12 meses. Adora luzes e sons, à excepção de um coelho de peluche que só de o ver sorri de imediato. Possui imensos brinquedos mas depois de esgotar um até à exaustão parece cansar-se dele para nunca mais. Acho que tem a quem sair mas não me apetece alongar sobre esse assunto.
Desisti de montar árvore de Natal. Ela é tão pequena que o pobre pinheiro só iria provocar mais uma preocupação. E não devem ficar bonitos forrados de silicone. Tenho a pedra da lareira com os ícones natalícios. Estão lá o Presépio, os bonecos de neve, as renas, o pai natal e, até, um boneco de gengibre caixa de música muito original. E chega. Quando for mais crescida terá a sua árvore com bolas e luzes a sério.
Pessoalmente sempre amei a quadra natalícia. Porém, este ano que deveria ser o melhor natal de todos os natais… sinto-me péssima. Perdi o espírito. Há pessoas assim: não descansam enquanto não estragam tudo de bom que nós temos. As ilusões são as primeiras a ir e sem magia não há Natal. Mas ela é tão querida que felizmente não vai saber desta minha tristeza. E eu sei que vou passar mais natais com ela e que, se Deus quiser, serão bem melhores.
